O presidente Lula convocou ministros para discutir a tarifa de 50% que os Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, impuseram sobre produtos brasileiros.
A medida, anunciada por Trump, começa a valer em 1º de agosto e afeta diretamente as exportações do Brasil.
Participam da reunião os ministros Fernando Haddad, Mauro Vieira e Geraldo Alckmin.
Justificativas e reações
Segundo Donald Trump, a elevação da tarifa se deve a supostos ataques do Brasil a eleições livres e à liberdade de expressão dos americanos. Em carta enviada ao presidente Lula, Trump também citou o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando-o como “uma vergonha internacional”.
Trump afirmou, sem apresentar provas, que a decisão foi tomada “devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.
O presidente dos EUA argumentou ainda que a relação comercial entre os dois países é “injusta” e que as tarifas são necessárias para corrigir anos de déficits comerciais e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil contra os EUA. “Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional”, escreveu Trump na carta enviada a Lula.
Dados e análises sobre o comércio bilateral
Apesar das alegações de Trump, informações do Ministério do Desenvolvimento do Brasil indicam que o país tem registrado déficits comerciais seguidos com os EUA desde 2009. Nos últimos 16 anos, as vendas de produtos norte-americanos para o Brasil superaram as importações brasileiras em US$ 88,61 bilhões, valor equivalente a R$ 484 bilhões na cotação atual.
Analistas apontam que a postura de Trump ao impor as tarifas tem forte componente geopolítico, buscando ampliar seu poder de barganha e influência internacional. O governo brasileiro, diante do impacto econômico e diplomático da medida, avalia estratégias de resposta para proteger os interesses nacionais e manter o diálogo com os Estados Unidos.