O presidente Lula lamentou o crescimento dos conflitos armados internacionais durante encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no Palácio da Alvorada. Lula afirmou que o mundo está “jogando fora” os ensinamentos de Mahatma Gandhi e criticou o investimento em armamentos em detrimento da preservação ambiental.
O petista também voltou a defender uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, destacando a necessidade de maior representatividade para países do “Sul Global” como Brasil e Índia.
Críticas à escalada de conflitos e defesa do legado de Gandhi
Durante a coletiva ao lado de Narendra Modi, Lula expressou preocupação com o aumento de guerras no cenário internacional. Ele afirmou que os ensinamentos de Mahatma Gandhi, defensor da paz e da não-violência, estão sendo “jogados fora” diante da atual conjuntura global. Segundo Lula, os países têm priorizado investimentos em armamentos, deixando de lado a preservação ambiental, o que considera um erro estratégico.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
O presidente brasileiro reiterou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que o órgão não consegue mais lidar com as disputas entre seus membros. Lula defendeu a inclusão de países do “Sul Global”, como Brasil e Índia, como membros permanentes. “Brasil e Índia têm um potencial extraordinário e por isso reivindicamos o direito de participarmos do Conselho de Segurança da ONU. Não é possível mais a gente ver a ONU enfraquecida, não sendo levada em consideração, e os membros fixos do conselho, que deveriam primar pela paz, são exatamente aqueles que mais estimulam guerra. Foi assim na guerra do Iraque, foi assim na invasão da Líbia, foi assim na Ucrânia e está sendo assim em muitos outros países”, declarou Lula.
Parceria Brasil-Índia e combate ao terrorismo
Lula manifestou solidariedade a Modi em razão do ataque do Paquistão à região da Caxemira, controlada pela Índia, ocorrido em maio. Ele destacou o cessar-fogo entre Índia e Paquistão como exemplo de “sensatez”. Modi, por sua vez, ressaltou a importância da parceria entre Índia e Brasil como um pilar de estabilidade e equilíbrio em meio aos conflitos e incertezas globais.
O primeiro-ministro indiano defendeu a solução de conflitos por meio do diálogo e da diplomacia, além de adotar “tolerância zero” contra o terrorismo. Modi também propôs facilitar o trânsito de turistas, estudantes e empresários entre os dois países e expressou o desejo de ampliar a relação comercial com o Brasil para atingir um patamar de US$ 20 bilhões anuais.