O presidente Lula recebe nesta terça-feira (8) o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro ocorre um dia após a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro e celebra os 80 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Índia.
A agenda inclui assinatura de declaração conjunta sobre Parceria Digital, com foco em infraestrutura pública digital, inteligência artificial e governança digital.
Comércio bilateral em destaque
Atualmente, a Índia figura como o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu US$ 12 bilhões, com alta de 24% nos primeiros cinco meses de 2025. As exportações brasileiras somaram US$ 5,26 bilhões, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. Por outro lado, as importações vindas da Índia chegaram a US$ 6,8 bilhões, tornando o país asiático a sexta maior origem de importações para o Brasil.
Parceria digital e tecnologias emergentes
Durante a visita, Lula e Modi devem assinar uma declaração conjunta sobre a Parceria Digital, abordando temas como infraestrutura pública digital, inteligência artificial, tecnologias emergentes e governança digital. O convite de Lula reforça a importância de aproximar a América Latina dos países asiáticos.
Ameaças tarifárias dos EUA e resposta do Brics
O encontro ocorre em meio a tensões comerciais, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor uma tarifa adicional de 10% a qualquer país alinhado a políticas consideradas antiamericanas pelo Brics. Trump anunciou a medida em sua conta na Truth Social, afirmando que não haverá exceções, mas sem detalhar quais seriam essas políticas.
Segundo autoridades norte-americanas, ainda não há um decreto em elaboração, e a implementação dependerá dos próximos passos do bloco. No mesmo dia, os países do Brics divulgaram a “Declaração do Rio de Janeiro”, defendendo o multilateralismo e rejeitando medidas unilaterais que enfraquecem o comércio global, sem citar diretamente os EUA ou a ameaça tarifária.
Trump informou ainda que os novos acordos tarifários começarão a ser enviados a partir das 12h de segunda-feira (7), com vigência a partir de 1º de agosto e uma janela de três semanas para renegociações. O anúncio ocorre próximo ao fim da suspensão temporária dos tarifaços de abril, que variam de 10% a 50%. União Europeia, Japão, Índia, Coreia do Sul e outros países buscam concessões para evitar as sobretaxas.
O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que “o uso de tarifas não serve a ninguém”. A Rússia afirmou que o Brics “nunca foi e nunca será dirigido contra terceiros”. Já a África do Sul reiterou a defesa de um “multilateralismo reformado” pelo grupo.