Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, declarou nesta segunda-feira (7) que o país “tem que” enviar mais armamentos à Ucrânia, durante a guerra contra a Rússia. A fala ocorreu na Casa Branca, dias após o republicano suspender o envio de armas, o que preocupou Kiev e foi comemorado por Moscou.
O Pentágono confirmou horas depois que retomará o envio de armas de defesa para a Ucrânia.
Repercussão da suspensão e retomada do envio de armas
Dias antes da declaração de Trump, o envio de armamentos à Ucrânia havia sido suspenso pelos Estados Unidos, conforme noticiado pela Associated Press. A decisão gerou reações opostas: a Rússia celebrou a medida, enquanto autoridades ucranianas expressaram preocupação com o impacto no conflito.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que “quanto menos armamentos forem enviados à Ucrânia, mais rápido o conflito chegará ao fim”. Por outro lado, o governo ucraniano alertou que atrasos na ajuda militar americana poderiam incentivar a Rússia e destacou a necessidade de apoio consistente dos aliados para alcançar o fim da guerra.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia chegou a convocar o vice-chefe da embaixada dos Estados Unidos em Kiev para uma reunião, demonstrando insatisfação com a pausa.
Motivos para a pausa e impacto militar
A suspensão do envio foi motivada por preocupações com baixos estoques americanos de armamentos específicos, segundo duas fontes de segurança citadas pela Reuters. Entre os equipamentos atrasados estavam interceptadores de defesa aérea, essenciais para abater drones e mísseis russos, prometidos anteriormente pelo governo Biden.
O Ministério da Defesa ucraniano afirmou que o governo russo não foi oficialmente notificado da pausa. Uma fonte militar ucraniana disse à AFP que “será difícil se defender dos russos sem as munições americanas” e ressaltou a dependência do fornecimento dos Estados Unidos, apesar dos esforços europeus.
Contexto político e declarações recentes
Desde que reassumiu a Casa Branca em janeiro, Trump tem adotado uma postura mais branda em relação à Rússia, buscando uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia e levantando dúvidas sobre o futuro do apoio militar americano ao esforço de guerra de Kiev.
Indagado por repórteres sobre seu interesse em um projeto de lei proposto pelo Senado para novas sanções à Rússia, Trump afirmou que está analisando o assunto “com muita seriedade”.
Em outra ocasião, Trump declarou que Putin “é inútil e fala muita besteira”, sinalizando ambiguidade em sua abordagem ao líder russo e à condução do conflito.