O Pentágono suspendeu o envio de mísseis de defesa aérea e munições de precisão à Ucrânia, conforme divulgado por agências de notícias na terça-feira. A medida, motivada por preocupações sobre baixos estoques americanos, provocou comemoração da Rússia e inquietação entre autoridades ucranianas.
O governo dos Estados Unidos é um dos principais fornecedores de armas para a Ucrânia na guerra contra a Rússia. A decisão foi confirmada por fontes de segurança à Reuters.
Reações internacionais à suspensão
O Kremlin celebrou a decisão dos Estados Unidos nesta quarta-feira (2). O porta-voz Dmitry Peskov afirmou: “quanto menos armamentos forem enviados à Ucrânia, mais rápido o conflito chegará ao fim”. Em contraponto, autoridades ucranianas alertaram que atrasos no apoio militar americano “incentivarão” a Rússia a prosseguir com a guerra. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia convocou o vice-chefe da embaixada dos EUA em Kiev para discutir a situação.
Em comunicado, o ministério ucraniano destacou: “qualquer atraso ou procrastinação no apoio às capacidades de defesa da Ucrânia apenas encorajará o agressor a continuar a guerra”. Um parlamentar sênior ucraniano classificou a decisão como “dolorosa” diante do aumento dos ataques aéreos russos nas últimas semanas.
Impactos no campo de batalha
Entre os armamentos suspensos estão interceptadores de defesa aérea, essenciais para abater drones e mísseis russos. Esses equipamentos haviam sido prometidos pelo governo Biden, mas, segundo o Ministério da Defesa ucraniano, Moscou não foi oficialmente notificada da pausa. Uma fonte militar ucraniana declarou à AFP que será “difícil” defender-se dos russos sem as munições americanas, ressaltando a dependência do país em relação ao apoio dos EUA.
Os bombardeios russos com mísseis e drones têm se intensificado, causando mais destruição e mortes. A escassez de munições de 155 mm, usadas na artilharia da linha de frente, já preocupa as forças ucranianas.
Cenário político e militar
Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, reassumiu a Casa Branca em janeiro, sua postura em relação à Rússia tornou-se mais branda, com foco em buscar uma solução diplomática para a guerra e questionamentos sobre o futuro do apoio militar a Kiev. Apesar disso, Trump afirmou na semana passada que considera vender mais mísseis de defesa aérea Patriot à Ucrânia após encontro com Volodymyr Zelensky.
Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano e prepara uma ofensiva terrestre de verão, avançando nas regiões de Donetsk e Sumy. O atraso no envio de armamentos dos EUA é considerado “bastante triste” por fontes da defesa ucraniana, diante da escassez de suprimentos.
Posição do Pentágono
Em comunicado, o Pentágono informou que oferece ao presidente Trump opções para manter a ajuda militar à Ucrânia, alinhadas ao objetivo de encerrar a guerra. O subsecretário de políticas, Elbridge Colby, afirmou que o departamento “examina e adapta rigorosamente sua abordagem para alcançar esse objetivo, preservando a prontidão das forças dos EUA”.
O envio de ajuda militar já havia sido interrompido brevemente em fevereiro, com nova pausa mais longa em março. A administração Trump retomou posteriormente o envio do restante do material aprovado sob Biden.