Luiz Inácio Lula da Silva adotou discurso contundente neste domingo (6) na 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. O documento oficial do grupo, no entanto, optou por tom mais moderado, influenciado pela China. Mesmo assim, Donald Trump ameaçou países que se aproximem do Brics.
O evento reúne 11 países membros e parceiros, buscando fortalecer a cooperação do Sul Global. O encontro termina nesta segunda-feira (7).
Discurso de Lula e postura do Brics
Durante a 17ª Cúpula do Brics, Lula criticou, sem citar nomes, os Estados Unidos por supostamente instrumentalizarem a Agência Internacional de Energia Atômica para justificar ataques a instalações nucleares do Irã. O presidente brasileiro também condenou a Otan pela corrida armamentista, afirmando: “Mais fácil investir na guerra do que na paz”. Ele destacou ainda que a ONU não é mais consultada para ataques a outros países, defendendo a reformulação do Conselho de Segurança da ONU para incluir países da Ásia, África, América Latina e Caribe.
Apesar do tom forte do presidente brasileiro, o documento oficial do Brics evitou ataques diretos aos EUA. A postura mais branda foi atribuída à influência da China, que havia firmado acordo prévio com os norte-americanos e não enviou Xi Jinping ao encontro.
Reação de Trump e contexto geopolítico
Mesmo sem menções diretas, Donald Trump reagiu ameaçando países que se alinharem ao Brics. Desde o início de seu mandato, Trump faz alertas sobre possíveis consequências caso o grupo abandone o dólar em transações comerciais. Até o momento, o Brics apenas estuda alternativas, sem ações concretas para substituir a moeda americana.
Temas em pauta e decisões estratégicas
O Brasil buscou priorizar temas como saúde, inteligência artificial e crise climática na cúpula, evitando debates que pudessem acirrar tensões com o Ocidente. Questões polêmicas, como guerras, foram tratadas de forma a não provocar os Estados Unidos. Assim, a Rússia não foi condenada pela guerra na Ucrânia, e os EUA não foram criticados diretamente pelos ataques ao Irã. A guerra tarifária foi mencionada, mas sem referência explícita a Trump.
Nenhum país do Brics quis confrontar Trump diretamente, especialmente em semana marcada pela entrada em vigor de novas tarifas e anúncios de acordos comerciais pelos EUA, incluindo um já fechado com a China. O prazo para as tarifas foi prorrogado para agosto, mantendo o clima de incerteza e ameaça no ar.
O grupo Brics, formado por 11 membros e parceiros, atua como foro do Sul Global para fortalecer a cooperação econômica, política e social, buscando ampliar sua influência na governança internacional.