Após discurso do presidente Lula na 17ª Cúpula dos Brics, em que citou “genocídio” em Gaza e violações ao Irã, a Federação Israelita de SP afirmou que o Brasil se isola e ignora a realidade dos fatos.
A entidade manifestou profunda indignação e criticou o caminho da retórica ideológica, em vez da responsabilidade diplomática, adotado pelo presidente.
Lula defendeu ainda justiça tributária, combate à sonegação e multilateralismo, temas centrais da presidência brasileira do Brics.
Reação da Federação Israelita de SP
A Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgou nota oficial após o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula dos Brics, neste domingo (6). Segundo a entidade, as declarações do presidente “isolam o Brasil no cenário internacional” e ignoram a realidade dos fatos. O texto afirma: “O presidente ignora, mais uma vez, a realidade dos fatos, escolhendo o caminho da retórica ideológica, e não da responsabilidade diplomática”.
A manifestação ocorreu após Lula usar novamente o termo “genocídio” para se referir ao conflito na Faixa de Gaza e mencionar “violações à integridade territorial do Irã” durante a sessão “Paz e Segurança e Reforma da Governança Global” do Brics.
Discurso de Lula e temas abordados
No encontro, Lula destacou que a solução para o conflito em Gaza “só será possível com o fim da ocupação israelense e o estabelecimento de um Estado palestino”. O presidente também repudiou ações terroristas do Hamas, mas ressaltou a necessidade de uma resposta internacional ao que chamou de genocídio praticado por Israel.
Lula abordou ainda temas como justiça tributária, combate à sonegação e aumento da taxação sobre super-ricos, defendendo que “justiça tributária e combate à evasão fiscal são fundamentais para consolidar estratégias de crescimento inclusivas e sustentáveis”.
O presidente reforçou a defesa do aumento da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, compensada por tributação mínima sobre rendas altas.
Contexto do Brics e desafios diplomáticos
O Brics é um fórum de articulação político-diplomática formado por 11 países membros e parceiros, com o objetivo de fortalecer a cooperação econômica, política e social entre nações do Sul Global. O Brasil assumirá a presidência do bloco em 1º de janeiro de 2025, com a cúpula marcada para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
O grupo enfrenta desafios como guerras em curso, disputas comerciais e a necessidade de evitar uma guinada antiocidental. Especialistas apontam que o Brasil busca manter posição de neutralidade, contrapondo-se a China e Rússia em alguns temas sensíveis.
Temas prioritários e agenda do encontro
Sob presidência brasileira, os temas centrais definidos são Saúde, Meio Ambiente e Inteligência Artificial. A cúpula discute ainda governança internacional, reforma da ONU, cooperação em saúde, comércio e desenvolvimento sustentável. Mais de 100 reuniões preparatórias ocorreram entre fevereiro e julho, incluindo participação inédita da sociedade civil.
Entre as propostas, destaca-se a criação de uma Parceria para Eliminar Doenças Socialmente Determinadas e o estabelecimento de regras internacionais para uso ético da inteligência artificial.
Repercussão e expectativa
Apesar de temas ligados à guerra na Ucrânia e Oriente Médio não estarem na agenda oficial, as falas de Lula geraram repercussão internacional e reações de entidades como a Federação Israelita de SP. A expectativa do governo brasileiro é aprovar a declaração final dos chefes de Estado e três declarações conjuntas nas áreas prioritárias.