A aquisição de imóveis usados pelo Minha Casa Minha Vida aumentou significativamente nos últimos meses, gerando preocupação entre construtoras. O movimento de preferência por imóveis prontos pode afetar a produção e o emprego no setor da construção civil, levando especialistas a sugerirem adaptações e políticas públicas para equilibrar o mercado.
Crescimento nas vendas de imóveis usados
Dados recentes indicam que a venda de imóveis usados pelo Minha Casa Minha Vida superou as expectativas do mercado, impulsionada por maior oferta, preços mais acessíveis e preferência dos compradores por imóveis prontos. Entre as motivações para essa escolha estão localização consolidada, negociação direta com proprietários e a possibilidade de mudança imediata, sem aguardar a entrega de obras.
Impactos no setor de construção civil
O aumento da demanda por usados pode reduzir a procura por novas construções, afetando a indústria da construção civil, a geração de empregos e a produção de materiais. Construtoras temem que a tendência dificulte a retomada do crescimento do segmento, enquanto defendem regras que priorizem projetos novos para manter o setor aquecido.
Regras e diferenças entre usados e novos
Para financiar imóveis usados pelo programa, o comprador deve cumprir critérios como não possuir outro imóvel no município, não ter sido beneficiado por programas habitacionais, comprovar renda e capacidade de pagamento. A principal diferença está na faixa 3, que tem valor máximo do imóvel mais baixo. Recentemente, o valor mínimo de entrada foi reduzido: de 50% para 35% nas regiões Sul e Sudeste; de 30% para 20% nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Perspectivas, otimismo e desafios para o mercado
Apesar da preocupação, entidades como a CBIC demonstram otimismo e esperam que o setor imobiliário se mantenha em patamar elevado em 2025, especialmente com a consolidação da faixa 4 do programa, voltada para famílias com renda de até R$ 12 mil. O vice-presidente da CBIC, Ely Wertheim, destaca que o setor opera com estoque equilibrado, suficiente para atender à demanda pelos próximos oito meses, mesmo com retração de 5,5% na oferta geral de imóveis no primeiro trimestre de 2024.
Alfredo Freitas, presidente da ABMI, reconhece que as restrições para a faixa 3 dificultaram o acesso a usados, mas vê com otimismo as mudanças recentes, como os juros a 10% para imóveis de até R$ 500 mil, abaixo das taxas de mercado, que chegam a superar 12%. Ele aponta que o efeito multiplicador dos recursos injetados na economia pode tornar os imóveis usados ainda mais atrativos.
O Minha Casa Minha Vida se consolidou como motor do mercado imobiliário brasileiro, sendo responsável por metade dos lançamentos e vendas de imóveis novos no primeiro trimestre de 2024. O programa permite a aquisição de usados desde fevereiro de 2023, e o ano de 2024 já registra o maior número de contratos para imóveis usados na história do programa.
Especialistas alertam para a necessidade de políticas que incentivem a construção de novas unidades, garantindo equilíbrio entre o mercado de usados e novos e atendendo à demanda habitacional do país.