Economia

Taxa de fecundidade no Brasil atinge menor nível histórico segundo IBGE

Dados do IBGE mostram que média de filhos por mulher caiu para 1,6 em 2022, abaixo do nível de reposição populacional

O IBGE revelou que a taxa de fecundidade no Brasil caiu para 1,6 filho por mulher em 2022, o menor índice já registrado. O dado, divulgado nesta sexta-feira (27), indica que o país está abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher.

Essa queda histórica reflete mudanças sociais, econômicas e culturais, impactando a estrutura etária e exigindo adaptação das políticas públicas.

Redução contínua da fecundidade

A taxa de fecundidade, que representa o número médio de filhos por mulher em idade reprodutiva, vem caindo desde os anos 1970. Em 1960, era de 6,3; nos anos 1980, caiu para 4,4; em 2000, para 2,4; e, em 2022, chegou a 1,6.

Segundo o IBGE, fatores como maior acesso à educação, inserção das mulheres no mercado de trabalho, uso de métodos contraceptivos e mudanças nos valores culturais têm impulsionado essa redução. O processo começou pelo Sudeste e se espalhou por todo o país.

Diferenças regionais e sociais

O Sudeste registrou a menor taxa regional em 2022, com 1,41, seguido por Sul (1,50), Centro-Oeste (1,64), Nordeste (1,60) e Norte (1,89). Entre os grupos sociais, mulheres indígenas têm a maior média de filhos (2,8), enquanto brancas (1,4) e amarelas (1,2) apresentam as menores. A escolaridade também influencia: mulheres com ensino superior têm, em média, 1,2 filho.

Entre os grupos religiosos, as maiores taxas foram das evangélicas (1,7), seguidas por católicas (1,5) e sem religião (1,4).

Mudanças no perfil da maternidade

O levantamento mostra que as brasileiras estão tendo filhos mais tarde. A idade média ao ter filhos subiu para 28,1 anos em 2022, frente a 26,3 em 2000. O pico de fecundidade passou do grupo de 20 a 24 anos, em 2010, para 25 a 29 anos, em 2022. Houve aumento das taxas entre mulheres acima de 30 anos e queda entre as mais jovens.

O Distrito Federal apresentou a maior média de idade para a fecundidade (29,3 anos), enquanto o Pará registrou a menor (26,8 anos).

Cresce o número de mulheres sem filhos

O percentual de mulheres entre 50 e 59 anos que não tiveram filhos subiu de 10% em 2000 para 16% em 2022. O IBGE aponta que o fenômeno está ligado à postergação da maternidade e à diminuição do desejo de ser mãe.

Especialistas alertam para impactos futuros, como o envelhecimento populacional e desafios para a previdência e saúde, destacando a necessidade de adaptação das políticas públicas.

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