Pela primeira vez, São Paulo apresenta saldo migratório negativo, com mais pessoas saindo do que chegando entre 2017 e 2022, segundo o Censo 2022 do IBGE.
Enquanto isso, Santa Catarina lidera o ganho populacional por migração, impulsionando mudanças no padrão migratório brasileiro.
O fenômeno é marcado pela predominância de jovens entre os migrantes e por novos polos de atração, como Minas Gerais e Goiás.
Novos fluxos migratórios no Brasil
Segundo o Censo 2022, São Paulo registrou 825.958 saídas e 736.380 entradas, resultando em saldo negativo de 89.578 moradores. O estado, historicamente destino de migrantes, passa a perder população para outras regiões, indicando esgotamento do potencial de atração.
Em contraste, Santa Catarina recebeu 503.580 pessoas de outros estados e perdeu 149.230 moradores, alcançando saldo positivo de 354.350, o maior do país. Os principais estados de origem dos novos catarinenses são Rio Grande do Sul (26,8%), Paraná (19,1%), São Paulo (12,4%) e Pará (8,9%).
O movimento migratório também favoreceu estados como Goiás, que ganhou 186.827 pessoas (2,65% de crescimento), e Mato Grosso, com saldo positivo de 103.938 (2,84%). Minas Gerais ultrapassou São Paulo em saldo migratório, com ganho de 106,5 mil pessoas, atraindo principalmente migrantes de SP e RJ.
Jovens lideram migração interna
O fenômeno migratório é predominantemente jovem: 22,8% dos migrantes tinham entre 25 e 29 anos. Grupos entre 20 e 24 anos e 30 e 34 anos também se destacam, representando 18,5% e 17,5% do total, respectivamente. Pesquisadores do IBGE afirmam que a migração é um fenômeno demográfico seletivo por idade, ligado à busca por trabalho, estudo e formação de família.
Destaques regionais e tendências
A Paraíba foi o único estado do Nordeste com saldo migratório positivo (30.952 pessoas), enquanto Maranhão e Bahia lideraram as perdas. No Norte, o Pará perdeu 94 mil moradores, revertendo o histórico de atração migratória.
O Distrito Federal também passou a perder população, com queda de 3,53%. Quase metade dos emigrantes do DF foi para Goiás, evidenciando a expansão urbana no entorno.
No Sudeste, o Espírito Santo se destacou como novo polo de atração, com ganho de 27,8 mil pessoas. O saldo migratório negativo de São Paulo foi puxado por saídas de pessoas que já haviam migrado para o estado em décadas anteriores, principalmente vindas da Bahia, Minas Gerais e Paraná.
O Rio de Janeiro registrou perda ainda maior: 332.574 saídas e 167.214 entradas, saldo negativo de 165,3 mil habitantes (1,03% da população). Os principais destinos dos fluminenses foram São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Especialistas apontam que fatores como busca por qualidade de vida, oportunidades econômicas e expansão agrícola explicam os novos fluxos migratórios, especialmente para o Sul e Centro-Oeste.