Microplásticos estão atingindo tamanhos nanométricos e conseguem passar pelas etapas convencionais das estações de tratamento de água, segundo estudo recente. Essas partículas representam um risco crescente para o meio ambiente e para a saúde humana, pois podem ser ingeridas por organismos aquáticos e chegar ao consumo humano.
Pesquisadores destacam que a exposição contínua a essas partículas pode estar relacionada ao desenvolvimento de doenças como câncer e Parkinson, além de outros efeitos tóxicos e inflamatórios ainda em estudo.
O que são microplásticos e nanoplásticos
Microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 milímetros, enquanto nanoplásticos são ainda menores, chegando à escala dos nanômetros. Eles podem se originar da degradação de objetos plásticos maiores ou serem produzidos diretamente em tamanhos reduzidos para uso em produtos industriais e cosméticos.
Essas partículas são capazes de atravessar sistemas de tratamento de água, alcançando rios, lagos e, eventualmente, a água consumida por humanos. Isso representa um desafio significativo para a saúde pública e para o meio ambiente, já que podem transportar contaminantes e ser ingeridas por organismos aquáticos.
Impactos ambientais e à saúde
A presença de micro e nanoplásticos afeta a fauna aquática, prejudicando cadeias alimentares e ecossistemas. Para humanos, a ingestão dessas partículas é motivo de preocupação: estudos já encontraram partículas plásticas em tecidos pulmonares, fezes e até placentas humanas. Pesquisas apontam para possíveis efeitos tóxicos, inflamatórios e hormonais, além de alterações celulares e associação com doenças neurodegenerativas, como Parkinson.
O tamanho reduzido dessas partículas aumenta sua área superficial, intensificando sua reatividade e impacto ambiental. Detectá-las exige técnicas sofisticadas de microscopia.
Formação e dispersão dos microplásticos
Microplásticos resultam da fragmentação de plásticos maiores, como PET, poliéster e PVC, sob ação do sol, calor e atrito. Também podem ser liberados diretamente por produtos de higiene, esfoliantes, pastas de dente e lavagem de roupas sintéticas, que soltam milhares de microfibras por lavagem. O desgaste de pneus é outra fonte significativa, levando partículas à água por meio da chuva.
Essas partículas se dispersam facilmente pelo ar, água e organismos vivos, alcançando ambientes aquáticos, terrestres e até atmosféricos. Sua dispersão depende do tamanho, formato e densidade, com partículas menores e leves tendendo a flutuar e se espalhar amplamente.
Soluções e mobilização
Apesar das estações de tratamento removerem até 98% dos microplásticos, partículas menores que 20 µm e nanoplásticos frequentemente escapam, permanecendo na água potável e efluentes. Pesquisadores investigam métodos como oxidação avançada, biodegradação, filtração, adsorção, separação magnética, degradação térmica, microrrobôs, nanorrobôs e fotocatálise para remover essas partículas.
Enquanto a ciência busca soluções, ações individuais e coletivas são essenciais. Campanhas como a “Limpeza Costeira Internacional” mostram o impacto da mobilização social. Atitudes como descartar lixo corretamente, reduzir o uso de descartáveis, separar resíduos e cobrar políticas públicas eficazes contribuem para enfrentar o desafio dos microplásticos.