Pela primeira vez, estudos apontam que o machismo é mais forte entre jovens do que em gerações anteriores. Pesquisas conduzidas por especialistas como Ana Clara Ribeiro e Laura Bates mostram que redes sociais e inteligência artificial têm papel central nesse fenômeno.
O aumento do machismo entre jovens preocupa pesquisadores, que alertam para impactos sociais e defendem políticas de educação e conscientização.
Machismo entre jovens e impactos sociais
Pesquisas recentes, incluindo uma conduzida por Ana Clara Ribeiro com mais de 5 mil participantes no Brasil, revelam que 45% dos jovens de 18 a 24 anos apresentam crenças que reforçam estereótipos de gênero, enquanto entre os mais velhos esse índice é de 30%. A socióloga destaca que fatores culturais e sociais influenciam a formação dessas atitudes, que antes eram mais comuns entre adultos.
O aumento do machismo nessa faixa etária afeta relações interpessoais, ambiente escolar e mercado de trabalho, reforçando desigualdades de gênero. Especialistas defendem políticas educacionais e campanhas de conscientização voltadas aos jovens para combater o problema.
Radicalização e influência das redes sociais
A pesquisadora inglesa Laura Bates alerta para a radicalização em massa de meninos e adolescentes, impulsionada por algoritmos de plataformas como TikTok e Meta. Segundo ela, conteúdos misóginos são oferecidos automaticamente a jovens usuários em poucos minutos de uso, sem busca ativa. Bates relata casos de meninos que absorvem discursos de ódio contra mulheres a partir dessas redes.
Empresas de tecnologia, como TikTok e Meta, afirmam adotar políticas de segurança e remoção de conteúdo danoso, mas Bates considera as medidas insuficientes. Ela defende maior investimento em moderação e regulamentação para proteger adolescentes.
O papel da inteligência artificial e consequências reais
Bates destaca que a inteligência artificial amplia o alcance do sexismo, citando exemplos de ferramentas que criam imagens falsas e pornográficas de meninas, com impactos profundos na saúde mental das vítimas. Ela relata casos como o de meninas na Espanha, cujas imagens foram manipuladas por colegas de escola, levando a isolamento e sofrimento psicológico.
Desafios para a masculinidade e saúde mental
A pesquisadora aponta uma crise de saúde mental entre jovens, especialmente homens, agravada por modelos de masculinidade tóxica. Ela propõe promover novos exemplos de masculinidade, com figuras positivas como pais, professores e atletas, e defende conversas abertas sobre relações saudáveis.
Bates ressalta que a regulamentação das empresas de tecnologia é fundamental para criar um ambiente digital seguro para jovens. Apesar do cenário preocupante, ela vê esperança em movimentos coletivos e acadêmicos que denunciam o sexismo e promovem mudanças.
Histórias pessoais e mobilização
Bates compartilha experiências pessoais de assédio e destaca a importância de dar voz às mulheres e combater o silêncio imposto às vítimas. Ela enfatiza que o debate sobre machismo deve envolver toda a sociedade, incluindo homens e figuras de referência para os jovens.