A intensificação dos ataques entre Israel e Irã pressiona os Estados Unidos a se envolverem diretamente no conflito. O reforço militar americano na região e a histórica aliança com Israel dificultam a permanência dos EUA à margem da crise.
Especialistas analisam que, além do apoio estratégico, a capacidade bélica americana é vista como fundamental para conter o programa nuclear iraniano, aumentando o risco de participação direta dos EUA.
Aliança e movimentação militar dos EUA
Os Estados Unidos mantêm uma aliança estratégica com Israel e tradicionalmente apoiam o país em conflitos no Oriente Médio. Em fevereiro, o presidente Donald Trump retomou a política de “pressão máxima” sobre o Irã, visando forçar um novo acordo nuclear. Trump chegou a afirmar que, caso as negociações fracassassem, poderia atacar o Irã com o apoio de Israel.
Recentes postagens do presidente americano usando o termo “nós” ao se referir ao controle do espaço aéreo iraniano acenderam alertas sobre uma possível entrada dos EUA no conflito. O país reforçou sua presença militar no Oriente Médio, enviando caças, aviões estratégicos e deslocando aeronaves da Europa para a região. Para especialistas, esse movimento vai além da intimidação e indica preparação para a guerra.
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ, destaca que o uso de navios especializados em desminagem aponta para uma possível preparação para um conflito naval no Golfo Pérsico. Segundo ele, mesmo que a movimentação seja uma forma de pressionar o Irã, trata-se de “um teatro bem caro e expressivo”.
Capacidade bélica e programa nuclear iraniano
Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, ressalta que o fim do programa nuclear iraniano é de interesse direto dos EUA. Ele afirma que, apesar da resistência do secretário de Defesa em se envolver em outro conflito, é difícil não apoiar Israel na eliminação do programa nuclear iraniano, visto como ameaça aos Estados Unidos. Especialistas apontam que apenas os EUA possuem armamentos capazes de destruir os bunkers subterrâneos do Irã.
Impacto político para Trump
Os especialistas divergem quanto ao impacto político de um envolvimento militar para Donald Trump. Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, acredita que entrar no conflito contrariaria promessas de campanha de não gastar recursos em guerras, o que poderia ser mal recebido por sua base eleitoral. “Acho que vai pegar muito mal para ele, em uma perspectiva de não corresponder ao que seus eleitores e a sua base eleitoral estão justamente esperando dele”, afirma.
Por outro lado, Gunther Rudzit avalia que o impacto eleitoral pode ser limitado, já que Trump recuou em promessas anteriores e mantém forte controle sobre o eleitorado do movimento MAGA. Para Rudzit, uma nova narrativa criada em torno da ação militar poderia ser aceita pelos apoiadores do presidente.