Postagens nas redes sociais sugerindo que o Brasil forneceu urânio ao Irã são falsas, segundo o governo federal. A Secretaria de Comunicação Social, a INB e órgãos internacionais negam qualquer exportação do minério ao país do Oriente Médio. O boato ganhou força após recentes tensões entre Irã e Israel, mas não há registros oficiais de venda ou relação nuclear entre Brasil e Irã.
Entenda a origem do boato
Circulam nas redes sociais publicações alegando que o Brasil teria fornecido urânio ao Irã. Uma dessas postagens, feita no X no domingo (15), dizia: “Rapaz, se for verdade esse boato que o Brasil forneceu urânio para o Irã… a m* será merecidamente gigantesca”. O conteúdo viralizou, atingindo mais de 4,8 milhões de visualizações em dois dias.
O boato surgiu em meio a um confronto direto entre Irã e Israel. Em 12 de abril, um ataque israelense matou parte da cúpula militar iraniana e danificou instalações nucleares. Como resposta, as forças iranianas lançaram cerca de cem mísseis contra Israel, com explosões registradas em Jerusalém e Tel Aviv.
Desmentido oficial e dados sobre exportação
Na terça-feira (17), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência publicou nota afirmando: “Brasil não vende urânio para uso bélico”. O texto esclarece: “A INB [Indústrias Nucleares do Brasil] não tem qualquer negócio com o Irã ou jamais teve”. A INB é a única empresa autorizada a extrair e processar urânio no país, tornando ilegal qualquer atividade fora desse escopo.
Questionada sobre vendas para fins pacíficos, a Secretaria respondeu por e-mail: “Nunca houve qualquer venda de urânio para o Irã. A INB realizou, no passado, a venda de urânio para a Argentina, exclusivamente para geração de energia elétrica, com autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e conforme compromissos internacionais”.
A Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC) também afirmou que não há registro de exportação desse tipo para o Irã desde 1992, início das operações do órgão.
Regulamentação e uso do urânio brasileiro
O Ministério das Minas e Energia (MME) reforçou que, segundo a Constituição Federal, a União detém o monopólio sobre pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio de minérios nucleares. A comercialização e exportação de urânio dependem de autorização prévia e são de competência exclusiva do Estado.
O MME destacou ainda que o Brasil é signatário de tratados internacionais que impedem o fornecimento de material nuclear para fins não pacíficos. “O MME reitera que não houve qualquer venda de urânio para o Irã e que nenhuma de suas empresas vinculadas têm relações com o país, no campo da exportação de urânio, seus concentrados ou derivados. Toda a produção nacional é utilizada para atender às necessidades das usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro, operadas pela Eletronuclear.”