Economia

Raízen e GPA pedem recuperação extrajudicial em dois dias

Empresas somam quase R$ 70 bilhões em dívidas e optam por negociação sigilosa antes da homologação judicial

Em menos de 48 horas, duas das maiores empresas brasileiras acionaram o mesmo mecanismo legal: a recuperação extrajudicial. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou o pedido na terça-feira (10) e a Raízen fez o mesmo na quarta-feira (11).

Juntas, as companhias somam cerca de R$ 69,6 bilhões em passivos a reestruturar — R$ 65,1 bilhões da Raízen e R$ 4,5 bilhões do GPA. Os dois casos expõem o estresse financeiro que grandes grupos nacionais enfrentam em um ambiente de juros elevados.

Raízen: R$ 65 bilhões em dívidas e 90 dias para fechar o acordo

A Raízen, líder na produção de açúcar e etanol no Brasil e fruto da parceria entre Cosan e Shell, protocolou o pedido na Comarca da Capital de São Paulo. O plano foca nos credores quirografários — os que têm valores a receber, mas sem garantias específicas atreladas à dívida.

O grupo já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia e tem até 90 dias para ampliar esse percentual. Uma vez homologado pela Justiça, o acordo passa a valer para todos os titulares dos créditos incluídos, mesmo os que não aderiram voluntariamente.

Entre as medidas previstas estão injeção de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em ações, alongamento dos prazos de pagamento e eventual venda de ativos. Antes do protocolo formal, a Shell já negociava um aporte de R$ 4 bilhões para capitalizar a Raízen — R$ 3,5 bilhões da petroleira e R$ 500 milhões via veículo ligado à família Ometto —, o que dimensiona a escala da reestruturação em curso.

GPA: acordo unânime e suspensão imediata de pagamentos

O Grupo Pão de Açúcar fechou um acordo aprovado por unanimidade pelo conselho de administração. O plano já conta com o apoio de credores que representam 46% das dívidas incluídas — cerca de R$ 2,1 bilhões —, percentual acima do mínimo exigido pela lei.

A medida prevê a suspensão temporária dos pagamentos por um prazo inicial de 90 dias, com efeito imediato. Dívidas com fornecedores, clientes, parceiros e obrigações trabalhistas ficam fora do processo e continuam sendo honradas normalmente.

Os problemas do GPA não surgiram de uma hora para outra: desde 2022 a companhia acumula prejuízos anuais, agravados por desinvestimentos, trocas sucessivas de controle acionário e um déficit de caixa de R$ 1,2 bilhão que se arrastou até o fim de 2025.

Extrajudicial x judicial: negociação sigilosa antes da Justiça

A diferença central entre os dois mecanismos está no rito: na recuperação judicial, a empresa vai à Justiça para negociar com todos os credores de forma coletiva — caminho mais longo e complexo. Na via extrajudicial, as tratativas começam em sigilo direto com os credores mais estratégicos, e o acordo só é levado ao judiciário para homologação depois de estruturado.

Para que o processo avance, credores detentores de pelo menos 51% dos créditos incluídos precisam aprovar a proposta. Tanto Raízen quanto GPA restringiram o escopo ao endividamento financeiro, excluindo explicitamente as dívidas comerciais.

Os casos de GPA e Raízen não são pontos fora da curva: com a Selic a 15% ao ano e crédito restrito, o agronegócio brasileiro já havia batido em 2025 um recorde histórico de recuperações judiciais — alta de 56%, sinalizando um ambiente de estresse financeiro generalizado no país.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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