Negócios

GPA firma plano extrajudicial para reestruturar R$ 4,5 bi em dívidas

Supermercados permanecem abertos enquanto empresa negocia com credores em prazo de 90 dias

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) um acordo com credores para reorganizar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas por meio de recuperação extrajudicial.

O plano, aprovado por unanimidade pelo conselho de administração, já conta com adesão de credores que detêm 46% dos créditos — equivalente a R$ 2,1 bilhões.

As lojas do grupo, incluindo as bandeiras Pão de Açúcar, Extra Mercado, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar, seguem abertas e em operação normal.

Como funciona o plano e o que muda para o consumidor

O acordo prevê a suspensão temporária dos pagamentos das dívidas incluídas no processo enquanto a empresa negocia novas condições. O prazo inicial é de 90 dias, período em que o GPA busca ampliar o apoio dos credores e chegar a uma solução definitiva.

Dívidas com fornecedores, parceiros comerciais, clientes e obrigações trabalhistas ficam de fora do plano — o que garante o funcionamento normal das operações. A empresa afirmou estar em dia com todos os pagamentos a fornecedores e parceiros.

Ao contrário da recuperação judicial, processo que tramita na Justiça e envolve todos os credores, a via extrajudicial é mais ágil e restrita a um grupo específico de credores financeiros.

Anos de crise acumulada

Os problemas financeiros do GPA não são recentes. Desde 2022, a companhia vinha registrando prejuízos líquidos anuais. Em 2025, o resultado foi de R$ 651 milhões negativos, com dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta total de R$ 4 bilhões.

No balanço do último trimestre de 2025, a empresa alertou sobre dúvidas quanto à continuidade das operações. O déficit de caixa chegou a R$ 1,2 bilhão, reflexo de empréstimos e títulos com vencimento em 2026.

Mesmo com melhora nas vendas, o grupo continuou registrando prejuízo — resultado de um endividamento acumulado ao longo de anos, agravado por desinvestimentos e mudanças sucessivas no controle acionário.

Nova gestão e disputa pelo controle

O ano de 2025 marcou uma virada na estrutura de poder do GPA. O Grupo Coelho Diniz assumiu como principal acionista, com 24,6% das ações, e André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração em outubro.

Na sequência, o presidente-executivo Marcelo Pimentel, no cargo desde 2022, renunciou. No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como novo diretor-presidente da companhia.

O grupo francês Casino, ex-controlador do GPA, ainda mantém 22,5% do capital da empresa.

Rede de lojas e desempenho em bolsa

O GPA opera 728 lojas no Brasil: 187 sob a bandeira Pão de Açúcar, 164 do Extra Mercado, 155 do Mini Extra e 221 do Minuto Pão de Açúcar. As ações PCAR3 acumulam alta de 9,64% nos últimos 12 meses.

O objetivo declarado do plano é melhorar o perfil da dívida, equacionar problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira da operação no longo prazo.

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