Política

CPI para investigar Moraes e Toffoli com Vorcaro chega ao Senado com 35 assinaturas

Requerimento de Alessandro Vieira mira relações dos ministros do STF com o banqueiro controlador do Banco Master

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou na noite de segunda-feira (9) um requerimento para criação de uma CPI destinada a investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O pedido chegou ao Senado com 35 assinaturas — oito acima do mínimo de 27 exigido para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito.

Entre os signatários estão 11 senadores do PL, incluindo o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e seis do PP — partido cujo presidente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), também aparece nos bastidores do caso Vorcaro. Senadores do MDB, mesmo partido de Vieira, e do PT não aderiram ao pedido.

Diferente de outros requerimentos de CPI contra ministros do STF, este tem escopo fechado: investigar exclusivamente os vínculos dos magistrados com Vorcaro. Para Vieira, o caso ultrapassa a dimensão de uma crise bancária e coloca em xeque a credibilidade do tribunal.

Toffoli e a empresa Maridt

No centro das suspeitas sobre Dias Toffoli está a empresa Maridt, da qual o ministro admitiu ser sócio. Fundada em 2020 e administrada pelos irmãos do magistrado, a companhia tornou-se sócia do Resort Tayayá naquele mesmo ano e, em 2021, vendeu parte de suas ações para um fundo ligado à família Vorcaro — cujo único cotista era Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.

A Maridt permaneceu vinculada ao resort até fevereiro de 2025, quando vendeu sua participação. Com a pressão crescente, Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master no STF. O ministro André Mendonça assumiu o posto após sorteio no sistema interno do tribunal.

Moraes e o contrato de R$ 129 milhões

A primeira conexão de Alexandre de Moraes com o tema veio no fim de 2025, quando O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados — de propriedade da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes — e o Banco Master. Na manhã de segunda-feira (9), o escritório confirmou o vínculo, firmado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, sem mencionar valores.

Os prints obtidos pela Polícia Federal mostram que, horas antes de ser preso em Guarulhos tentando embarcar para Malta, Vorcaro enviava mensagens a Moraes pedindo ajuda para ‘salvar’ a venda do Banco Master — no dia 17 de novembro de 2025.

Após a reportagem sobre as mensagens, o STF divulgou nota em que Alexandre de Moraes nega ter recebido as mensagens de Vorcaro. O Globo rebateu afirmando que o conteúdo foi obtido pelo sistema de perícia da Polícia Federal, que apreendeu celulares e dispositivos eletrônicos do banqueiro durante as investigações.

As mensagens apreendidas pela PF não se limitam ao dia da prisão: ao longo de 2025, Vorcaro descreveu à companheira ao menos três ocasiões em que se encontrou pessoalmente com o ministro, inclusive durante um feriado em Campos.

As mesmas mensagens que embasam o pedido de CPI também revelam que Ciro Nogueira — cujo partido PP concentra seis dos signatários do requerimento — era descrito pelo próprio Vorcaro como ‘um dos grandes amigos de vida’.

O requerimento de Vieira se une a outros três pedidos de CPI que aguardam leitura em plenário, dependendo da autorização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Com quórum superado com folga, o avanço da proposta depende agora de decisão política da Mesa Diretora.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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