A CPMI do INSS que apura descontos indevidos em aposentadorias recebeu menos de 1% dos documentos obtidos na quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro. A confirmação veio nesta segunda-feira (9) do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Os arquivos passaram por uma triagem antes de chegar ao Parlamento — e os bastidores dividem a responsabilidade entre a Polícia Federal e o ministro do STF André Mendonça.
De 450 GB a 313 MB em 12 dias
Entre as decisões dos ministros Dias Toffoli e André Mendonça, a CPMI chegou a receber aproximadamente 450 gigabytes de documentos. A maior parte era composta por dados telemáticos do celular de Vorcaro armazenados em nuvem, fornecidos pela Apple.
A virada aconteceu quando Mendonça, que assumiu a relatoria do caso em fevereiro, determinou que a Polícia Federal recolhesse os arquivos antes de repassá-los à comissão. Em apenas 12 dias, centenas de gigabytes retornaram comprimidos a apenas 313 megabytes — distribuídos em 206 arquivos.
Ao encaminhar o material reduzido, a PF informou que estava disponibilizando “parte dos dados da quebra de sigilo de dados telemáticos realizada pela CPMI em desfavor de Daniel Bueno Vorcaro”.
Quem filtrou os documentos?
Nos bastidores, a origem do corte divide parlamentares. O presidente da CPMI, Carlos Viana, disse ter obtido do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a confirmação de que os documentos passariam por triagem antes de ser devolvidos. Outros integrantes da comissão atribuem a filtragem diretamente ao ministro Mendonça, que na sua decisão também previu o repasse das quebras de sigilo conduzidas pela PF no âmbito do STF — mas esse material ainda não chegou à comissão.
Mensagens expõem articulação com os Três Poderes
O material que chegou à CPMI inclui trocas de mensagens entre Vorcaro e a então companheira Martha Graeff, nas quais o banqueiro revela conexões com integrantes dos Três Poderes.
Em registros do dia 13 de agosto de 2024, Vorcaro comemora uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que propunha quadruplicar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. As mensagens foram enviadas horas após o parlamentar protocolar a proposta. O banqueiro também relata à companheira sua amizade com o senador.
Em conversa de abril de 2025, Vorcaro menciona à companheira que se encontraria com “alexandre moraes” — referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
O modelo que atraiu investigações
O Banco Master entrou no radar das autoridades por adotar uma estratégia agressiva de captação baseada em CDBs com cobertura do FGC. A emissão massiva desses títulos levantou suspeitas sobre os limites da garantia e a possível articulação com agentes públicos para viabilizar o modelo.