Pela segunda vez em menos de uma semana, a Turquia abateu um míssil balístico disparado pelo Irã em direção ao seu território. O projétil foi interceptado nesta segunda-feira (9) por sistemas de defesa aérea da Otan, sem deixar feridos.
O governo turco atribui o ataque ao Irã, que até o fechamento desta reportagem não havia comentado o novo incidente. Teerã já havia negado responsabilidade pelo primeiro míssil abatido na semana passada.
O incidente desta segunda-feira é o segundo registrado em menos de uma semana no espaço aéreo turco. Na semana passada, a interceptação de um primeiro míssil iraniano já havia levado a Otan a elevar o nível de alerta de defesa antimíssil em toda a aliança e colocado o Artigo 5 do tratado no radar.
O conflito no Oriente Médio, que envolve diretamente EUA, Israel e Irã, tem se espalhado para países da região. Além da Turquia — que faz fronteira com o Oriente Médio — o Chipre também registrou incidentes com drones e mísseis iranianos nos últimos dias.
Irã nega responsabilidade
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, voltou a negar envolvimento do país em ataques contra vizinhos durante coletiva de imprensa, mas não comentou o novo míssil abatido sobre a Turquia.
“Nossa defesa de forma alguma deve ser interpretada como hostilidade contra qualquer país da região. Em relação à República Islâmica do Azerbaijão, à Turquia e a Chipre, nossas Forças Armadas declararam de forma clara e oficial que tais incidentes não ocorreram dentro do Irã nem por meio de nossas forças militares”, afirmou Baghaei.
O Chipre, também alvo recente de drones e mísseis atribuídos ao Irã, levou países como Reino Unido, França, Grécia e Espanha a despachar equipamentos militares para a costa da ilha — sinal de que o conflito extrapola fronteiras regionais e se torna uma preocupação de segurança para toda a Europa.
Os disparos contra a Turquia se inserem em uma estratégia iraniana de disseminar ataques por toda a região para tornar o conflito prolongado e custoso para seus adversários — mesmo que Teerã negue autoria pelos incidentes junto à Turquia, ao Azerbaijão e ao Chipre.
A Turquia, membro da Otan, vive uma posição delicada: integra a aliança atlântica, mas mantém canais diplomáticos abertos com Teerã. A sucessão de ataques em seu espaço aéreo deve pressionar Ancara a endurecer o discurso ou a acionar formalmente os mecanismos de defesa coletiva da aliança.