A Bapco, petroleira estatal do Bahrein, declarou força maior nesta segunda-feira (9) após um ataque de drone iraniano atingir sua principal refinaria, localizada em Sitra.
O mecanismo jurídico libera a companhia de obrigações contratuais diante de circunstâncias extraordinárias fora de seu controle.
Uma densa camada de fumaça foi vista saindo da refinaria nas primeiras horas do dia. Horas depois, a Agência de Notícias do Bahrein, controlada pelo Estado, confirmou a declaração oficial da estatal.
No comunicado oficial, a Bapco afirmou que as operações “foram afetadas pelo conflito regional em curso no Oriente Médio e pelo recente ataque ao seu complexo de refinaria”. A companhia garantiu, no entanto, que continuará atendendo à demanda local por petróleo.
Pressão sobre os mercados energéticos
A declaração de força maior chega num momento de alta tensão nos mercados de energia. Analistas já projetavam o barril a US$ 100 com a escalada do conflito no Golfo Pérsico — e o ataque à infraestrutura bahreiniana reforça a instabilidade na oferta regional.
O episódio insere-se numa sequência de ações iranianas contra alvos estratégicos da região. Nos dias anteriores, a Guarda Revolucionária do Irã havia declarado ter atingido um petroleiro americano no Golfo e afirmado controle total do Estreito de Ormuz, rota vital para o abastecimento global de petróleo.
O ataque ao Bahrein fez parte de uma ofensiva mais ampla deflagrada na mesma madrugada. O Irã bombardeou também Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — enquanto o presidente Pezeshkian pedia desculpas publicamente pelos ataques a países vizinhos, numa postura que gerou leituras contraditórias no cenário diplomático regional.
A Bapco opera a principal refinaria do Bahrein, em Sitra — instalação central na matriz energética do país. A declaração de força maior indica que as perturbações operacionais foram avaliadas como graves o suficiente para justificar a suspensão de compromissos de fornecimento com parceiros internacionais.
Com ataques simultâneos a infraestruturas energéticas em diferentes países do Golfo, o conflito avança para uma fase de escalada direta sobre ativos estratégicos — ampliando o risco para mercados e governos da região.