O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (6) que deseja o fim da estrutura atual de liderança do Irã — e que pretende se envolver pessoalmente na escolha do novo líder supremo do país.
Em entrevista à NBC, Trump disse preferir um bom líder para o Irã e descartou Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como sucessor aceitável.
Para o presidente americano, um novo líder que mantenha as políticas de Khamenei obrigaria os EUA a voltar à guerra em cinco anos.
As declarações desta sexta-feira marcam nova escalada no tom de Trump sobre o Irã. Na quinta-feira (5), o republicano já havia dito que precisaria se envolver diretamente na definição de quem vai comandar o país adversário.
A estratégia repete o roteiro adotado na Venezuela: no início de 2026, os EUA montaram um cerco militar que resultou na retirada de Nicolás Maduro da presidência — e Trump aplica agora a mesma lógica de intervenção direta ao Irã.
Segundo Trump, Mojtaba Khamenei é o candidato mais cotado à sucessão, mas o presidente considera o resultado inaceitável. Para ele, um líder que dê continuidade ao regime seria garantia de novo conflito armado.
Ofensiva americana em andamento
Na quarta-feira (4), o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país está vencendo a guerra contra o Irã. Hegseth prometeu novas ondas de bombardeios e revelou que mais de dois mil alvos iranianos já foram atingidos desde o início das operações.
O secretário declarou que, apesar de a guerra estar apenas no começo, os EUA já acumularam vitórias históricas contra o regime e suas forças militares.
Hegseth também afirmou que o Irã tentou assassinar Trump, mas que o líder da unidade responsável pelo ataque está morto — e que foi Trump quem deu a última risada. Os EUA eliminaram diversos oficiais de alto escalão do regime iraniano nos últimos dias.
A disputa pela sucessão se dá em meio a uma guerra aberta: bombardeios americanos e israelenses mataram o aiatolá Ali Khamenei dias antes, deixando o Irã sem liderança definida e Trump sem interlocutor para negociar.
O quadro atual coloca Washington em posição inédita: pela primeira vez, os EUA buscam interferir não apenas no resultado de uma guerra, mas na definição direta de quem governará o país adversário ao fim do conflito.