Quatro dias após os bombardeios que mataram o líder supremo Ali Khamenei, a guerra entre Estados Unidos e Irã se aprofunda sem sinal de solução diplomática. Nesta terça-feira (3), Trump declarou ser “tarde demais” para negociar com Teerã.
Do lado iraniano, o embaixador na ONU em Genebra afirmou que a única linguagem possível com Washington, agora, é “a da defesa”. O balanço do conflito aponta 787 mortos no Irã e seis soldados americanos desde o sábado (28).
Israel ataca o colégio que elegeria o sucessor de Khamenei
Em uma das ações mais simbólicas do dia, mísseis israelenses atingiram a Assembleia dos Peritos em Qom, sul do Irã. O colegiado — formado por 88 aiatolás — é o órgão responsável por escolher o novo líder supremo após a morte de Khamenei. O The Jerusalem Post, com base em fontes do governo israelense, informou que todos os membros estavam presentes no momento do ataque, sem confirmar vítimas.
O Exército israelense também afirmou ter atacado o complexo presidencial iraniano e a sede do Conselho Supremo de Segurança. Netanyahu disse à Fox News que não haverá “guerra sem fim”. Trump, por sua vez, falou em “quatro ou cinco semanas” de conflito, mas sinalizou disposição para manter os ataques por mais tempo.
Washington reconheceu carência de armamentos de ponta, mas garantiu estoque ilimitado de mísseis de médio alcance para as próximas semanas. A admissão de carência em armamentos de ponta ocorreu no mesmo dia em que Trump acionou a indústria de Defesa em caráter emergencial para acelerar a fabricação de novos sistemas.
O Irã reivindicou um ataque com drones contra o consulado dos EUA em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Washington confirmou um incêndio controlado nas proximidades do prédio e negou vítimas. Os EUA também anunciaram o fechamento de sua embaixada em Amã, na Jordânia. Após reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump afirmou que a ofensiva destruiu “praticamente tudo” e eliminou as lideranças capazes de assumir o poder em Teerã.
Estreito de Ormuz e a ameaça do petróleo a US$ 200
O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz na segunda-feira (2) e ameaçou atacar embarcações que tentem cruzar a rota estratégica, responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Na segunda-feira, quando o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar embarcações — escalada que já incluiu o ataque de drone ao petroleiro Athen Nova —, os EUA ainda negavam que a rota estivesse efetivamente bloqueada.
O regime persa estima que o bloqueio possa elevar o barril do petróleo a US$ 200, usando a crise energética como arma de pressão geopolítica. Antes mesmo da ameaça de fechar o estreito, analistas já projetavam o barril a US$ 100 — patamar que o Irã agora usa como piso ao prever uma escalada até US$ 200 caso os ataques continuem.
Trump reagiu desafiando o bloqueio: ordenou à Marinha americana que escorte navios mercantes para garantir o fluxo de energia global. Determinou ainda que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo no Golfo.
O general Ebrahim Jabari, da Guarda Revolucionária iraniana, prometeu atacar os centros econômicos da região caso a ofensiva contra o Irã persista. O porta-voz General Reza Talai-Nik acrescentou que o país tem capacidade para “resistir por mais tempo do que o previsto” pelo inimigo.