O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto a líderes mundiais na quarta-feira (4) para que escolham o caminho da paz em vez de ampliar arsenais — enquanto conflitos no Oriente Médio consumiam trilhões e 630 milhões de pessoas passavam fome.
O discurso foi proferido na Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, em Brasília, com crítica direta aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Lula colocou números no contraste entre guerra e fome: os cerca de US$ 2 trilhões gastos com conflitos em 2025 poderiam ter sido divididos entre os 630 milhões de pessoas que passaram fome no mundo. “Recursos destinados a armas, drones e aviões de combate não produzem alimentos — e acabam agravando conflitos”, afirmou o presidente.
As críticas se estenderam à própria ONU. Segundo Lula, a organização está “cedendo ao fatalismo” e priorizando interesses ligados às guerras em detrimento de iniciativas de paz e combate à fome. Para o presidente, a entidade perdeu credibilidade ao descumprir os princípios de sua carta de fundação — e ainda não mobilizou os países para negociar uma saída para o Oriente Médio.
O contexto geopolítico tornava a cobrança ainda mais urgente: EUA e Israel estavam no quarto dia de bombardeios ao Irã, com ataques à sede do conselho responsável por eleger o próximo líder supremo iraniano — exatamente o tipo de conflito que Lula cobrava os líderes mundiais a encerrar.
Enquanto Lula discursava em Brasília, Trump anunciava a fabricação emergencial de novos armamentos para sustentar a guerra contra o Irã — o que deu contornos práticos à crítica ao rearmamento global feita pelo presidente brasileiro no mesmo dia.
Na mesma conferência da FAO, Lula comprometeu o Brasil com ajuda humanitária a Cuba e ao Haiti e apoiou a inclusão da reforma agrária na agenda regional de segurança alimentar — ampliando o escopo do evento para além do conflito no Oriente Médio.
Em encerramento, o presidente defendeu que a América Latina preserve sua condição histórica de zona de paz, agindo com soberania e recusando a desigualdade histórica. “A paz é a única possibilidade de fazer a humanidade avançar”, concluiu Lula.