Política

Mensagens de Vorcaro expõem ameaças a jornalistas e agentes do Banco Central

Operação Compliance Zero identificou milícia privada paga com R$ 1 milhão por mês para intimidar opositores

A Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela segunda vez na quarta-feira (4), em São Paulo. As mensagens de WhatsApp extraídas do celular dele mostram ordens diretas de agressão física contra um jornalista e uma funcionária.

O material integra a Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes financeiras bilionárias e o funcionamento de uma estrutura privada de intimidação, batizada de “A Turma”, operada a mando do banqueiro.

“Quebrar todos os dentes” e outras ordens

Segundo as investigações detalhadas em decisão do STF, Vorcaro comandava um núcleo de “intimidação e obstrução de justiça” liderado por Luiz Phillipi Mourão, apelidado internamente de “Sicário”. O grupo recebia R$ 1 milhão por mês para realizar atos de coação contra opositores do banqueiro.

Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro ordena um ataque físico a um jornalista após reportagens contrárias aos seus interesses: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.” Mourão respondeu positivamente, e a PF interpreta o diálogo como indício de tentativa de forjar um crime para silenciar a imprensa.

Em outro trecho, ao se sentir ameaçado por uma funcionária doméstica, o banqueiro escreve: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, ordenando em seguida que Mourão localizasse o endereço dela.

Ligações com o Banco Central

As mensagens também expõem uma relação próxima entre Vorcaro e servidores do Banco Central do Brasil. Paulo Sérgio Neves de Souza, então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária, chegou a enviar ao banqueiro a imagem de sua própria portaria de nomeação pelo WhatsApp. O servidor já havia sido afastado internamente antes de a PF agir — uma sindicância aberta pelo próprio BC no fim de 2025 foi o gatilho que alimentou os mandados assinados pelo ministro Mendonça.

As apurações ainda indicam que Vorcaro usava o aplicativo para coordenar repasses financeiros a servidores do BC, com os valores confirmados em conversas com a funcionária Ana Claudia.

O ministro André Mendonça, do STF, decretou a prisão preventiva de Vorcaro, Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e Marilson Roseno da Silva. Medidas cautelares foram aplicadas também a servidores do Banco Central, e empresas utilizadas para lavar o dinheiro que financiava o esquema tiveram suas atividades suspensas.

Os dados extraídos do celular de Vorcaro também redefiniram o rumo judicial do caso: o nome do ministro Dias Toffoli apareceu nos arquivos, levando-o a pedir a redistribuição do inquérito para André Mendonça — o mesmo que assinou os mandados de prisão desta fase.

Esta foi a segunda vez que Vorcaro foi detido no mesmo inquérito. Na primeira fase, em novembro, ele foi preso no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em avião particular rumo à Europa. A prisão desta quarta-feira também levou ao cancelamento da sessão da CPI do Crime Organizado.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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