A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para que o presidente argentino Javier Milei visite o ex-mandatário no dia 25 de julho, às 16h, no local em que ele cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília.
A data pedida coincide com a convenção do PL que deve oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições de outubro.
Milei já havia anunciado que viria ao Brasil no mesmo dia para apoiar a pré-candidatura de Flávio e aproveitaria a passagem por Brasília para visitar o pai do senador.
Pena por trama golpista
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde novembro de 2025, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder mesmo depois da derrota nas eleições de 2022. A prisão domiciliar foi concedida por razões humanitárias, ligadas ao estado de saúde do ex-presidente.
O pedido para a visita de Milei chega poucos dias depois de Moraes suspender por 90 dias as visitas do próprio filho, Flávio Bolsonaro, ao ex-presidente — o que torna a solicitação para o líder argentino ainda mais sensível.
Aproximação com Flávio Bolsonaro
A aproximação entre Milei e a família Bolsonaro ficou evidente em 29 de junho, quando o argentino publicou uma foto ao lado de Flávio durante viagem do senador a Buenos Aires, para participar da Latin America Chairmen’s Conference, evento da comunidade judaica. Na legenda, Milei escreveu que ‘vem aí a maré azul para o Brasil’. Flávio repostou a imagem agradecendo: ‘Você é um exemplo para o mundo. Que a maré azul liberte todas as Américas’.
O termo maré azul é usado por políticos de direita e conservadores para descrever o avanço desse espectro político na América Latina, em contraposição à esquerda, campo associado à cor vermelha.
A autorização para Milei é solicitada em meio a uma disputa em curso sobre o direito de visita ao ex-presidente, que levou a OAB a cobrar de Moraes a liberação de contato reservado entre Flávio e o pai. O desfecho do pedido pode indicar como o STF tratará futuras solicitações de visitas políticas a Bolsonaro durante o período eleitoral.
