O petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (9) com uma nova escalada militar: os EUA realizaram o segundo ataque consecutivo contra o Irã, desta vez destruindo cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana.
Por volta das 9h, o barril Brent operava em alta de 0,58%, a US$ 78,52. O WTI subia 0,34%, a US$ 73,76. O eixo do conflito é o controle do Estreito de Ormuz.
90 alvos militares destruídos em uma noite
Na noite de quarta-feira (8), o Comando Central dos EUA conduziu nova rodada de ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito de Ormuz.
As operações atingiram sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar — ao todo, cerca de 90 estruturas destruídas ou danificadas ao longo da costa iraniana.
A nova escalada contradiz a expectativa de pacificação criada em 15 de junho, quando o anúncio de um acordo de paz entre EUA e Irã derrubou o Brent em mais de US$ 4 em um único dia — o entendimento, no entanto, não foi suficiente para sustentar a paz.
Por que o Estreito de Ormuz move o mercado global
Com cerca de 50 quilômetros de largura, o corredor conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava por ali.
Embora a via não pertença ao Irã, o país controla a costa norte do estreito, além de ilhas e posições militares que permitem monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região.
Nos últimos anos, o Irã transformou sua posição geográfica no estreito em instrumento de pressão política. Após o início do conflito, Teerã fechou a rota como trunfo nas negociações. Há menos de duas semanas, o Brent chegou a operar abaixo de US$ 74 com a reabertura gradual do corredor — a retomada dos ataques desta quinta-feira inverte a tendência e empurra os preços de volta para cima.
O governo iraniano defende atualmente que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima, o que adiciona uma dimensão diplomática à crise. Enquanto os EUA buscam proteger o tráfego civil, o Irã mantém seu controle geográfico como principal carta na mesa de negociações.
Cenário para o mercado de energia
A volatilidade do petróleo reflete a incerteza sobre a duração e o alcance do conflito. Qualquer sinalização de diálogo ou nova escalada tende a mover rapidamente os preços do Brent e do WTI, mantendo o mercado energético global em compasso de espera enquanto os ataques seguem sem prazo de encerramento.
