A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (8) uma busca por armas na residência de Jair Bolsonaro no Jardim Botânico, em Brasília. A operação, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, durou menos de uma hora.
Segundo a defesa do ex-presidente, nada foi encontrado. O mandado previa a apreensão de armamentos, munições, acessórios e documentos de registro.
A ação ocorre dois dias depois de o Exército informar ao STF que não estava com duas das oito armas que a defesa havia declarado estar sob sua guarda — criando um paradeiro incerto para parte do arsenal.
A busca desta terça é o desdobramento direto de uma cadeia de decisões judiciais iniciada em 3 de julho, quando Alexandre de Moraes manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro e ordenou a apreensão imediata de todas as armas vinculadas ao ex-presidente, além de revogar seu Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Na decisão, o ministro afirmou que a condição atual do ex-presidente é incompatível com a posse de armas de fogo.
Em resposta, a defesa informou ao STF que, das dez armas listadas, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023 — por determinação do TCU — e oito estariam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília. Com base nisso, Moraes determinou ao Exército que entregasse as oito armas à PF em até 48 horas.
No domingo (6), porém, o Comando do Batalhão comunicou ao STF que não estava com duas das oito armas indicadas pela defesa. Segundo os militares, apenas seis foram efetivamente entregues à Polícia Federal — sem explicação sobre o paradeiro das outras duas.
Diante da inconsistência, a expedição do mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente foi a resposta imediata — que, ao fim, não resultou em localização de qualquer armamento.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março deste ano, o ex-presidente está sob prisão domiciliar humanitária, autorizada inicialmente por Moraes por 90 dias para que ele se recuperasse de uma broncopneumonia. O regime foi prorrogado após o prazo inicial, com nova decisão emitida em 3 de julho.
O estopim da crise com o armamento ocorreu semanas antes: uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida com um membro de sua segurança durante uma blitz em Brasília, episódio que levou Moraes a intimar a defesa e desencadeou as sucessivas ordens de apreensão do restante do arsenal.
Com a busca desta terça encerrada sem resultado e duas armas ainda sem paradeiro confirmado, o impasse sobre o arsenal do ex-presidente segue em aberto.
