O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (31) que vai provar sua inocência nas investigações que o relacionam ao esquema do Banco Master.
A declaração veio um dia depois de o STF retirar o sigilo da decisão que autorizou o monitoramento de seus celulares.
O ministro André Mendonça liberou à Polícia Federal o acesso aos aparelhos de Wagner e do ex-sócio do banco Augusto Lima, na 9ª fase da Operação Compliance Zero.
PF aponta uso de ligações para evitar registros
Segundo a Polícia Federal, as tratativas de Jaques Wagner com o núcleo do Banco Master foram conduzidas predominantemente por chamadas de voz — modalidade, segundo os investigadores, escolhida deliberadamente para evitar registros escritos. Augusto Lima, ex-sócio do banco, também repassava informações sensíveis ao senador por áudio ou telefone, enviando documentos só depois de tratar o conteúdo central oralmente.
A decisão de Mendonça cita ainda o risco de vazamento da investigação. No mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão e de monitoramento dos celulares, o ministro recebeu um pedido de reunião de um dos alvos. A TV Globo apurou que o pedido partiu do próprio Wagner. A Polícia Federal já havia intimado o senador a depor sobre o esquema, marcado para 7 de agosto.
Os investigadores afirmam que fases anteriores da Operação Compliance Zero comprovaram um “monitoramento sistemático das ações de investigadores e autoridades” pela organização liderada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Apartamento de R$ 2,5 milhões é apontado como vantagem indevida
A PF suspeita que Jaques Wagner atuou em defesa dos interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas — entre elas, um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar. Wagner nega ter agido em favor do banco e afirma que o imóvel nunca chegou a integrar seu patrimônio.
O senador disse à Rádio Baiana FM que está “tranquilo” e concentrado nas eleições de outubro, quando tentará a reeleição ao Senado. Ele lembrou que também foi investigado em 2018, por obras na Arena Fonte Nova, sem ser condenado. A movimentação ocorre dias depois de Mendonça autorizar o rastreamento de bens do Banco Master no exterior, com a PF projetando concluir o inquérito ainda em agosto.
