O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (25) que a liquidação extrajudicial do conglomerado Master não provocou efeitos no sistema financeiro nacional.
A conclusão integra o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025.
Clientes ressarcidos pela operação transferiram seus recursos para instituições de maior porte, segundo a própria autoridade monetária.
O REF do segundo semestre de 2025 confirma o que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado ao Senado. Galípolo classificou o Master como instituição de terceira divisão e descartou qualquer risco sistêmico da operação — o relatório publicado nesta segunda reforça essa avaliação da autoridade monetária.
Estabilidade do setor bancário
O BC ressaltou que a rentabilidade das instituições financeiras permaneceu praticamente estável no segundo semestre de 2025, demonstrando resiliência e capacidade de gerar lucros para ampliar o capital próprio.
O crescimento dos resultados operacionais, ainda que em ritmo menor, compensou o aumento dos custos com provisões — sinal de que o sistema absorveu a liquidação sem turbulências relevantes para o conjunto do setor.
O FGC desembolsou cerca de R$ 49,4 bilhões para ressarcir os clientes das instituições liquidadas, e boa parte desse montante migrou para bancos maiores, de acordo com o próprio BC.
Rentabilidade sem perspectiva de alta
Apesar da estabilidade registrada, o Banco Central adverte que a rentabilidade do setor bancário não deve crescer no curto prazo. As condições financeiras restritivas e a moderação da atividade econômica tendem a frear tanto a concessão de crédito quanto as receitas de serviços.
A margem de crédito seguiu pressionada pela elevação do custo de captação, limitando os ganhos das instituições mesmo num cenário sem choques sistêmicos.
O BC também alertou que o avanço da inadimplência pode conter o crescimento das receitas nos próximos semestres, mantendo a rentabilidade do setor sob pressão contínua.
