A economia brasileira iniciou 2026 em ritmo acelerado. O IBC-Br, considerado a prévia do PIB, registrou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2025, com destaque para o desempenho da indústria.
O dado foi divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (18). O resultado oficial do PIB, calculado pelo IBGE, sairá em 29 de maio.
Apesar do resultado positivo, o mercado financeiro projeta desaceleração ao longo do ano — com crescimento estimado em 1,86% para 2026 fechado, ante 2,3% registrados em 2025.
O crescimento no primeiro trimestre ocorre em um contexto de estímulos fiscais significativos. Em ano eleitoral, o governo federal zerou a tributação do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, liberou saques do FGTS e ampliou linhas de crédito com juros mais baixos para a população.
Esses fatores impulsionaram o consumo e contribuíram para que todos os setores da economia apresentassem expansão no período, com a indústria se destacando entre eles.
Como funciona a prévia do PIB
O IBC-Br é calculado pelo Banco Central a partir de estimativas para agropecuária, indústria e serviços, além dos impostos. Diferentemente do cálculo do IBGE, o indicador do BC não incorpora o lado da demanda da economia.
O dado do primeiro trimestre foi apurado com ajuste sazonal, que permite comparar períodos diferentes ao eliminar variações típicas de cada época do ano. Nas comparações sem esse ajuste, o IBC-Br registrou queda de 0,7% em março ante fevereiro, crescimento de 0,3% frente ao mesmo período de 2025 e expansão de 0,7% em 12 meses até março.
O mercado de trabalho aquecido — com a menor taxa de desemprego histórica para um primeiro trimestre — é um dos vetores que mantém a economia operando acima do seu potencial, fator que o Banco Central monitora de perto para calibrar os juros.
O bom desempenho do primeiro trimestre não muda o diagnóstico do Banco Central para o restante do ano. A instituição projeta expansão de 1,6% para 2026 — abaixo da estimativa do mercado, de 1,86% — e deixou claro que uma desaceleração controlada faz parte da estratégia para conter a inflação.
Na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta semana, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo, ou seja, a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento. O IBC-Br é uma das ferramentas que a instituição usa para definir a taxa básica de juros, a Selic.
O resultado robusto do primeiro trimestre contrasta com o pessimismo do mercado financeiro: pela nona semana seguida, analistas elevaram a projeção de inflação para 2026 — cenário que justifica a estratégia do BC de frear o ritmo de crescimento ao longo do ano.
