O presidente Lula pousou na Base Aérea de Andrews nesta quarta-feira (6) para o esperado encontro presencial com Donald Trump. A reunião está marcada para a Casa Branca, em Washington, na quinta-feira (7), com início previsto para o meio-dia no horário de Brasília.
Fontes da diplomacia brasileira veem o encontro como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.
De telefonema a Washington
A viagem tem origem num processo de aproximação que ganhou força em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos. Após a ligação, Lula declarou querer visitar Washington ainda em março para um encontro “olho no olho” com Trump — mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
A data foi confirmada numa segunda ligação, em 1º de maio, em que Trump elogiou a trajetória de Lula e encerrou a conversa com um informal “I love you” — episódio que acelerou a marcação da visita.
Além de comércio e economia, outros temas devem compor a mesa de discussões, conforme a diplomacia brasileira. A reunião é encarada como uma oportunidade de reequilibrar o diálogo bilateral após um período de instabilidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Atritos que marcaram o caminho até Washington
A construção do encontro não foi linear. De janeiro para cá, a relação entre os dois governos acumulou novos elementos de tensão. A prisão e posterior soltura de Alexandre Ramagem pelo ICE e questões envolvendo policiais dos dois países adicionaram ruído diplomático às semanas que antecederam a viagem.
O cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio também tornaram o ambiente mais complexo para a interlocução entre Brasília e Washington.
Mesmo assim, auxiliares de Lula mantêm expectativas cautelosas. Nos últimos meses, um assessor do presidente sinalizou que o encontro desta semana pode ser “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada” em termos de acordos — indicativo de que a diplomacia brasileira vê o evento como abertura de um novo ciclo de negociações, não como conclusão.
