O dólar recuou nesta terça-feira (5) e era cotado a R$ 4,9487 na abertura, queda de 0,29%. A sessão começa com dois vetores em foco: no plano doméstico, a ata do Copom detalha a decisão de cortar a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano; no plano externo, a crise no Estreito de Ormuz escala com declarações de guerra entre Washington e Teerã.
O Ibovespa abre às 10h em meio a um cenário de recuperação nas bolsas globais, mesmo com a tensão geopolítica longe de arrefecer.
O que diz a ata do Copom
O Banco Central divulgou nesta manhã o documento que explica o segundo corte consecutivo da taxa básica de juros. O texto reconhece que a guerra no Oriente Médio elevou as expectativas de inflação, mas sinaliza que o ciclo de redução de juros não será interrompido por conta disso.
A decisão mantém o Copom em trajetória de afrouxamento, mesmo com o ambiente externo mais hostil. Na semana passada, o dólar já era pressionado pela mesma combinação de ameaças de Trump ao Irã e espera pelo resultado da reunião — o mesmo cenário que se repete agora com a ata do segundo corte seguido da Selic.
Escalada no Estreito de Ormuz
As Forças Armadas dos EUA anunciaram ter escoltado, nesta segunda-feira, os primeiros navios comerciais americanos pelo Estreito de Ormuz desde que Donald Trump ordenou operação militar para garantir a passagem das embarcações.
O Irã reagiu afirmando ter impedido a entrada de navios de guerra americanos no estreito. Pela manhã, houve confusão sobre um possível ataque iraniano a uma embarcação dos EUA. Horas depois, os americanos negaram o episódio, e Teerã recuou no discurso, classificando a ação como “disparos de advertência”.
A trégua hoje descrita como frágil é a mesma extensão do cessar-fogo anunciado por Trump em 22 de abril, quando o acordo temporário havia derrubado o dólar abaixo de R$ 5 e afundado o petróleo mais de 15% em um único pregão — conforme noticiou o Tropiquim na época.
Ainda nesta tarde, Trump declarou à Fox News que o Irã “será varrido da face da Terra” caso ataque navios dos EUA. Em sua rede social Truth Social, o presidente afirmou que embarcações de países “não relacionados” à operação também foram alvo iraniano, incluindo um cargueiro sul-coreano.
Bolsas globais em leve recuperação
Apesar das tensões, os mercados internacionais iniciam a sessão tentando se recuperar das perdas da véspera. Na véspera, relatos de ataque a uma embarcação americana no Estreito de Ormuz — ainda não confirmados — já haviam empurrado o petróleo Brent acima de US$ 111 e levado o dólar a iniciar a semana em alta, como o Tropiquim acompanhou em tempo real.
Por volta das 8h40 (horário de Brasília), os futuros de Wall Street apontavam alta: Dow Jones subia 0,25%, S&P 500 avançava 0,33% e Nasdaq tinha ganho de 0,58%.
Na Europa, o STOXX 600 subia 0,4% após registrar na véspera sua maior queda em um mês. O CAC 40 (Paris) avançava 0,64% e o DAX (Frankfurt) tinha alta de 1,34%, enquanto o FTSE 100 (Londres) seguia na contramão, com queda de 1,25%.
Na Ásia, as bolsas da China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechadas por feriados locais, reduzindo o volume de negociações na região.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que ações dos EUA e de seus aliados colocam em risco o transporte marítimo na região. Forças americanas, por sua vez, relataram a destruição de embarcações e armamentos iranianos no âmbito da operação.
