Saúde

Contracepção natural cresce entre mulheres que abandonam hormônios

Métodos como sintotermia ganham adeptas, mas exigem rigor e não servem para todas
Mulher em ambiente natural com expressão serena, símbolo de métodos contraceptivos naturais sem hormônios em crescimento

Um número crescente de mulheres está trocando contraceptivos hormonais por métodos naturais — e a tendência revela tanto uma legítima busca por autonomia corporal quanto riscos reais de uso inadequado.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina (Inserm) mostram que 7,5% das francesas usavam métodos naturais em 2023, ante 4,6% em 2016. No mesmo período, o uso da pílula caiu de mais de 50% para 26,8% entre mulheres de 18 a 49 anos.

Da tabelinha ao anel conectado

Os métodos naturais englobam a tabelinha (ou método de Ogino), baseada no cálculo do período fértil; o método da temperatura, com registro diário em horário fixo; o método de Billings, focado na observação do muco cervical; e a sintotermia, que combina temperatura e muco para maior precisão.

A adesão a essas práticas cresce num contexto que especialistas chamam de “hormonofobia”. O ginecologista Geoffroy Robin, do Hospital Universitário de Lille, aponta que o movimento ganhou força após a revelação, em 2012, dos riscos associados às pílulas de terceira e quarta geração, sendo desde então amplificado por desinformação nas redes sociais.

Nas plataformas digitais, esses métodos são apresentados como forma de “se libertar” de contraceptivos que “arruínam a saúde” — narrativa que mistura insatisfações legítimas com exageros, segundo especialistas.

Tecnologia não garante segurança

A empresária Elodie Monnier Legrand, 30 anos, investiu mais de R$ 1.160 em um anel conectado para monitorar temperatura e assinou um aplicativo que prometia identificar seu período fértil. Após um ano e meio, engravidou duas vezes seguidas. Depois de dois abortos espontâneos, ela lamenta a pouca confiabilidade do método.

A limitação é estrutural: esses métodos não são indicados para mulheres com ciclos irregulares — uma em cada cinco, segundo Robin. Fatores como infecções, candidíase, uso de paracetamol ou anti-histamínicos e mudanças na rotina de trabalho também podem comprometer os resultados da análise.

Para quem deseja adotar esses métodos com mais segurança, o treinamento especializado é determinante. Na França, parteiras oferecem sessões de capacitação, mas a demanda elevada criou um mercado próprio de formação.

A advogada Laurène Sindicic criou, em 2020, a plataforma Emancipées (“Emancipadas”), voltada ao ensino da sintotermia. Ela oferece cursos teóricos e práticos — “essenciais, já que 100% das mulheres cometem erros no primeiro ciclo” — com acompanhamento de três ciclos por cerca de R$ 2.318.

A socióloga Cécile Thomé, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), situa o fenômeno num movimento mais amplo de valorização do bem-estar e do autoconhecimento. A promessa de “controlar o próprio corpo” ressoa em diferentes aspectos da saúde feminina contemporânea.

A sintotermia, quando bem aprendida, apresenta eficácia superior à dos outros métodos naturais e pode ser adequada para “muitas mulheres”, desde que bem informadas, segundo a ginecologista Danielle Hassoun. O ponto crítico permanece: garantir acesso qualificado ao método — e não apenas acesso a aplicativos e conteúdos nas redes sociais.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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