Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) as medidas que põem em prática o plano de recuperação extrajudicial da companhia. O plano prevê um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões e a divisão da empresa em duas.
Com dívida de cerca de R$ 65 bilhões, é a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. A crise veio de uma série de apostas arriscadas, safras ruins e preços baixos das commodities.
As assembleias também aprovaram mudanças nos estatutos e no capital social e elegeram os novos conselhos de administração.
Como vai funcionar o aumento de capital
Do total previsto, a Shell poderá aportar até R$ 3,5 bilhões. A Aguassanta, se decidir participar, poderá contribuir com até R$ 500 milhões.
A operação tem ainda duas outras frentes. Os credores vão converter parte das dívidas em participação na empresa. Os demais acionistas poderão comprar novas ações para manter sua fatia na companhia.
Esse desenho já havia sido costurado em junho, quando os credores aceitaram converter 45% das dívidas em ações e a Shell se comprometeu com o aporte de R$ 3,5 bilhões.
Calendário da operação
O aumento de capital ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração, que deve se reunir em 6 de novembro.
De 9 de novembro a 8 de dezembro, os acionistas poderão exercer o direito de preferência, ou seja, a prioridade para comprar as novas ações antes que elas sejam oferecidas a outros investidores.
Duas empresas independentes na bolsa
Outra decisão aprovada separa os negócios de energia e combustíveis. A Raízen será dividida em duas companhias abertas e independentes, com ações negociadas na bolsa: uma de distribuição de combustíveis e lubrificantes e outra de etanol, açúcar e bioenergia.
A separação só será feita depois que as condições do plano e os prazos legais forem cumpridos. Para viabilizá-la, os acionistas aprovaram a redução do capital social da Raízen S.A. em até R$ 35 bilhões, com a entrega aos acionistas de títulos emitidos pela Raízen Energia.
Em julho, a Justiça de São Paulo homologou o plano. Com isso, a renegociação passou a valer para todos os credores abrangidos, o que abriu caminho para as medidas aprovadas agora.
Quem vai comandar as novas companhias
Depois do aumento de capital, cada empresa terá um conselho de administração com sete membros titulares e sete suplentes. Samuel Aguirre foi indicado para presidir o conselho da distribuidora de combustíveis e lubrificantes. Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para o conselho da empresa de etanol, açúcar e bioenergia.
Na gestão, Lorival Nogueira Luz Jr. vai liderar a distribuição de combustíveis. Geovane Dilkin Consul foi indicado para comandar a operação de etanol, açúcar e bioenergia. Os dois já fazem parte da atual administração e participam da transformação operacional e financeira iniciada há dois anos. As indicações ainda precisam ser confirmadas pelos conselhos.
Investidores na distribuição
A companhia informou que vai começar a preparar um processo para avaliar a entrada de investimentos no negócio de distribuição de combustíveis. Uma das alternativas é uma oferta pública secundária, em que acionistas vendem a outros investidores ações que já possuem.
Segundo o CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, as decisões dão previsibilidade à reorganização e permitem continuar o plano de transformação da companhia. A administração atual fica como está até que as condições para concluir as mudanças sejam cumpridas.
A crise é resultado de anos de endividamento acelerado: a dívida líquida saltou de R$ 13,8 bilhões para R$ 55,3 bilhões até o pedido de recuperação extrajudicial, em março.