Economia

Governo abre consulta pública para destravar a recarga de carros elétricos, ainda concentrada em SP e no Sul

Norte reúne só 3,4% dos quase 30 mil pontos públicos, enquanto as vendas de eletrificados até setembro já superam todo o ano de 2025
Mapa da Região Norte e carro elétrico BYD ilustram a consulta pública recarga veículos elétricos aberta pelo governo

O Ministério de Minas e Energia abriu nesta sexta-feira (23) uma consulta pública sobre a recarga de veículos elétricos no Brasil. A ideia é mapear a rede atual e descobrir o que impede sua expansão. As contribuições podem ser enviadas por 30 dias.

A medida vem depois do salto nas vendas. De janeiro a setembro, foram emplacados 381.609 veículos leves eletrificados, cerca de 70% a mais que em todo o ano de 2025, segundo o ministério, com base em dados da ABVE.

O que o ministério quer descobrir

Segundo a pasta, as informações coletadas vão servir para traçar um panorama da atividade de recarga e identificar barreiras legais e regulatórias. A partir disso, o governo pretende propor ajustes normativos e diretrizes.

O foco é integrar os carregadores às redes de distribuição de energia e incorporar o tema ao planejamento energético. O governo avalia que a eletrificação da frota é uma tendência estrutural, e não passageira.

Rede de carregadores é desigual entre as regiões

O país tem hoje 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos, segundo o ministério, com base em dados da ABVE/Tupi Mobilidade. A distribuição desses pontos, porém, limita o uso dos elétricos em boa parte do território.

Só São Paulo concentra 26,3% dos carregadores. Somado aos três estados do Sul, o grupo responde por 50,7% do total. Na ponta oposta, os sete estados da região Norte reúnem apenas 3,4% dos pontos.

A expansão da recarga já vinha sendo puxada pela iniciativa privada: em 2025, a Porsche anunciou R$ 70 milhões para instalar 66 novos carregadores ultrarrápidos em rodovias, quando o país tinha cerca de 15 mil carregadores.

Montadoras aceleram a produção local

O governo atribui parte do avanço das vendas à chegada de montadoras estrangeiras que anunciaram produção e montagem no país. Esse movimento ganhou força com o aumento gradual do imposto de importação de elétricos e híbridos, que chegou a 35% em julho de 2026.

A chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e já pediu licenças para dobrar a capacidade anual de sua fábrica brasileira para 600 mil veículos, segundo reportagem da Reuters publicada nesta sexta.

Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM também incluem elétricos e híbridos entre as prioridades de investimento. Levantamentos do governo estimam que esses aportes somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030.

O desafio para o setor elétrico

O governo prevê que a eletromobilidade vai se tornar um segmento relevante de consumo de energia. Além do volume total, preocupa onde e quando essa demanda vai aparecer, já que a recarga tende a se concentrar em certas regiões e horários.