O câncer foi a doença que mais matou no Brasil em 2025. Foram 269.404 mortes por neoplasias, cerca de 17,6% do 1.534.588 óbitos registrados no país ao longo do ano.
Os números são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, publicados no Datasus. Atrás dos tumores aparecem as doenças isquêmicas do coração, com 116.962 mortes, e as doenças cerebrovasculares, como o AVC, com 106.970.
O ranking das principais causas de morte
Além do câncer e das doenças do coração e do cérebro, a lista do SIM mostra o peso das enfermidades crônicas e respiratórias. A pneumonia ficou em quarto lugar, com 100.304 mortes. Outras doenças cardíacas somaram 84.137 registros.
O diabetes causou 72.151 mortes, e as doenças hipertensivas, 65.799. As doenças crônicas das vias aéreas inferiores responderam por 57.436 óbitos.
Entre as causas externas, os acidentes de transporte mataram 37.954 pessoas, e os homicídios, 35.231.
Os tumores lideram com folga, e o diagnóstico tardio é um dos problemas mais conhecidos. No caso do câncer de pulmão, 87% dos casos são descobertos em fase avançada, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
Doenças do coração seguem em alta
Somadas, as causas ligadas ao sistema circulatório ocupam várias posições do ranking. O quadro continua em 2026: segundo o Cardiômetro da SBC, o país já passa de 318 mil mortes cardiovasculares neste ano.
Por que a pneumonia matou mais
O dado que mais chama atenção na série é o da pneumonia. As mortes passaram de 67.063 em 2020 para 100.304 em 2025, alta de 49,6%.
A pneumologista Marcela Costa, da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), pede cautela na leitura. Em entrevista ao Poder360, ela disse que 2020 foi um ano fora do padrão: com máscaras, distanciamento e escolas fechadas, outros vírus e bactérias quase pararam de circular, e parte das mortes respiratórias foi atribuída à covid. “Parte do aumento que vemos agora é a volta ao que era comum antes da pandemia”, afirmou.
Segundo a médica, o envelhecimento da população, a queda na vacinação e a maior circulação de vírus também pesam. “Não há indícios de que a pneumonia em si tenha se tornado mais agressiva”, disse. Ela aponta ainda a demora em buscar atendimento como fator decisivo.
O que os números não mostram
Para a especialista, só os óbitos não bastam para dizer se houve mais casos ou se a doença ficou mais letal. Para isso, seria preciso olhar também as internações e o envelhecimento da população. Como prevenção, ela cita vacinação, atendimento precoce, não se automedicar e manter as doenças crônicas sob controle.