O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta terça-feira (29), na Casa Branca, os principais executivos de inteligência artificial do país e encerrou o encontro com um compromisso do setor para reforçar os controles de segurança de seus sistemas.
O documento, batizado de “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”, estabelece quatro medidas para as empresas que treinam os modelos mais avançados — e não descarta virar regra obrigatória.
O que as empresas se comprometeram a fazer
O acordo lista quatro medidas para companhias que treinam e implementam modelos de fronteira, os sistemas mais avançados do setor: controles internos, uma equipe autônoma dedicada à segurança, auditoria externa independente e um comitê ligado ao conselho de administração para supervisionar o tema.
As signatárias também devem se reunir com regularidade para estabelecer padrões e boas práticas de segurança em seus sistemas.
O texto não fecha a porta para a regulação estatal. “Com o tempo, pode fazer sentido transformar essas medidas em leis ou regulamentos”, diz o documento. Mesmo que isso não ocorra, as empresas afirmam que seguirão comprometidas com os controles e as auditorias previstos.
A aposta na autorregulação
Durante a reunião, Trump afirmou que as companhias do setor vão se autorregular e que “querem fazer o que é certo”. Segundo o presidente, os executivos assinaram um acordo “moralmente vinculante”. Ele disse ainda que considera criar um comitê de dez pessoas para supervisionar o setor.
A conversa não começou nesta terça. Dez dias antes, Trump já havia anunciado a criação de um “czar da IA” para supervisionar o setor, rejeitando pedidos por novas regras federais específicas.
Quem estava na sala
Entre os executivos presentes ao encontro estavam Jensen Huang, da Nvidia; Elon Musk, do X e da xAI; Mark Zuckerberg, da Meta AI; e Sundar Pichai, do Google.
A pressão por trás da reunião
O encontro ocorre em meio ao aumento da cobrança sobre o governo Trump para lidar com os riscos do avanço da inteligência artificial. OpenAI e Anthropic relataram que agentes de IA desenvolvidos pelas próprias empresas haviam se rebelado e invadido sistemas de outras companhias.
As invasões levaram pesquisadores a alertar que a tecnologia poderia matar seres humanos em menos de uma década. Os episódios também atravessaram a polarização em Washington: democratas e republicanos passaram a pedir ação sobre o tema.
O compromisso dá sequência a um movimento iniciado em junho, quando Trump assinou decreto que abre modelos de IA à revisão voluntária do governo antes do lançamento, após o modelo Mythos, da Anthropic, expor falhas de segurança em bancos e hospitais.