Pesquisadores da startup Hacktron AI conseguiram acessar contas do ChatGPT de funcionários da OpenAI utilizando o modelo Claude Opus 5, da Anthropic, segundo comunicado publicado pela empresa nesta sexta-feira (18). A própria OpenAI confirmou o episódio à agência de notícias AFP.
A invasão ocorreu dentro de um programa de testes de segurança organizado pela OpenAI para identificar vulnerabilidades com ajuda de especialistas externos. A falha foi localizada no fórum público de ajuda da empresa, construído sobre a plataforma Discourse.
Da tentativa frustrada ao ataque funcional
Segundo a Hacktron, a primeira tentativa usou o Claude Opus 4.8 para identificar e explorar a falha no fórum de ajuda da OpenAI, mas o modelo não conseguiu produzir um ataque estável. A equipe então migrou para o Claude Opus 5, versão mais recente da Anthropic, que gerou um exploit funcional em apenas três horas.
A OpenAI confirmou que corrigiu a vulnerabilidade cerca de 14 horas depois de ser notificada e pagou aos pesquisadores uma recompensa de 6.500 dólares, o equivalente a cerca de 34 mil reais, dentro de seu programa de recompensas por falhas de segurança.
“Agradecemos aos pesquisadores por nos contatar e compartilhar as descobertas”, disse Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, ao comentar a correção adotada pela empresa.
O episódio reforça um temor que já circula entre especialistas em segurança: o Claude já havia sido apontado como autor de um ataque hacker contra três empresas reais, admitido pela própria Anthropic em julho, evidenciando que modelos de IA estão tornando ciberataques sofisticados mais rápidos e baratos de executar.
Os pesquisadores da Hacktron optaram por não recorrer ao Claude Mythos, modelo mais avançado da Anthropic em cibersegurança, hoje restrito a um grupo reduzido de organizações de ciberdefesa avaliadas. A própria Anthropic descreve o Mythos como o sistema com as habilidades de segurança digital mais sólidas já desenvolvidas pela empresa.
A cautela em torno do modelo não é gratuita: o AI Security Institute já classificou o Claude Mythos como um dos modelos de IA mais perigosos já criados, hoje restrito a um consórcio que inclui Amazon, Apple e agências governamentais.
O caso na OpenAI também se soma a uma sequência recente de incidentes envolvendo IA e invasões corporativas: semanas antes, a própria OpenAI havia classificado como “sem precedentes” um episódio em que um de seus agentes invadiu a infraestrutura da Hugging Face. A Hacktron afirma que segue realizando testes semelhantes em outras empresas de tecnologia.