Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (18), revela que 23,3% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos com dificuldade apenas de mobilidade — sem nenhum comprometimento cognitivo — não sabem ler nem escrever.
Entre os jovens sem deficiência, essa taxa cai para 1%, uma diferença de mais de 20 vezes que expõe falhas estruturais na inclusão escolar de pessoas com deficiência no país.
Barreiras de acessibilidade nas escolas
O estudo Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil, do IBGE, mostra que o analfabetismo é ainda maior entre quem tem dificuldades associadas apenas a funções intelectuais: 40,4% dessas pessoas não leem e não escrevem. Segundo o instituto, a frequência escolar bruta de PcD já é ligeiramente menor do que a da população geral, principalmente a partir do ensino médio.
A pesquisa também mapeou a infraestrutura das instituições de ensino. A sala de recursos multifuncionais, essencial para o Atendimento Educacional Especializado no contraturno, está presente em apenas 15% dos colégios privados e em 34,5% das escolas públicas. Já o banheiro adaptado para alunos com dificuldade de locomoção existe em pouco mais da metade das instituições municipais e estaduais.
O contraste é ainda mais revelador quando se considera que o Brasil atingiu, em 2025, sua menor taxa histórica de analfabetismo — 4,9% para a população geral —, enquanto entre jovens com deficiência de mobilidade o índice chega a 23,3%.
Ensino a distância cresce, mas dúvidas persistem
O acesso ao ensino superior de pessoas com deficiência avançou com a expansão da educação a distância: o número de estudantes com deficiência matriculados nessa modalidade quadruplicou entre 2019 e 2024. Considerando os formatos presencial e EAD juntos, as matrículas saltaram de 33.377 para 95.572 em uma década, entre 2004 e 2014.
Apesar do crescimento no acesso, o IBGE não detalha quantos desses estudantes chegaram a concluir o curso, o que deixa em aberto se a ampliação das matrículas está se traduzindo em formação efetiva. Especialistas apontam que inclusão vai além da matrícula garantida: exige adaptações que assegurem tanto a socialização quanto a aprendizagem plena ao longo de toda a trajetória escolar.