A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu nesta sexta-feira (11) que o STF filtre o conteúdo antes de retirar o sigilo das investigações do caso Master.
Segundo os advogados, é preciso preservar material sem relevância para a apuração e que exponha a privacidade do ex-dono do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero.
O que a defesa quer preservar
Os advogados de Vorcaro citam como exemplos conteúdos exclusivamente pessoais extraídos dos celulares apreendidos durante a operação, como imagens de familiares — especialmente crianças — e mensagens protegidas por sigilo legal, incluindo as trocadas entre o ex-banqueiro e seus próprios defensores.
A preocupação com a exposição de material sensível não é nova. Em março, a defesa já havia exigido perícia independente dos celulares apreendidos, questionando a cadeia de custódia do mesmo material digital que agora quer filtrar antes da divulgação pública.
Por que o sigilo está sendo levantado
O debate sobre a divulgação dos arquivos ganhou força depois que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu que processos que tramitavam sob sigilo fossem tornados públicos. O pedido foi feito às vésperas de um julgamento do plenário sobre desdobramentos das apurações do caso Master.
O ministro André Mendonça, relator das investigações, atendeu à solicitação e determinou o levantamento do sigilo da Petição 15.556, considerada a principal investigação do caso, além de outros procedimentos vinculados à apuração.
Contexto do pedido de Fachin
Fachin argumentou que o levantamento do sigilo permitiria aos demais ministros conhecerem o conjunto de informações reunidas nas investigações antes da sessão marcada para discutir a validade de um relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes.
Em seu despacho, Mendonça informou que providências administrativas já estavam em curso para encaminhar cópias integrais dos autos à Presidência do STF e aos demais gabinetes da Corte. O pedido original previa a preservação do sigilo apenas de diligências cuja divulgação pudesse comprometer investigações ainda em andamento.
O episódio se soma a outro movimento da defesa: em março, os advogados de Vorcaro já haviam acionado o STF para apurar supostos vazamentos que teriam alimentado dezenas de reportagens sobre o caso — o mesmo receio de exposição indevida que motiva agora o pedido de filtragem.