Tecnologia

Anthropic barra países que usaram Claude para armas biológicas

Rússia, China, Irã e Iêmen tentaram usar a IA para propaganda e drones de guerra
Logotipo da Anthropic em destaque com bandeiras da China e Irã ao fundo, simbolizando uso de IA para armas biológicas

A Anthropic, criadora do Claude, afirma ter identificado tentativas de países como Rússia, China, Irã e Iêmen de usar sua inteligência artificial para fins maliciosos, incluindo propaganda, drones de guerra e possíveis armas biológicas.

Segundo relatório obtido pelo jornal The New York Times, a empresa diz ter bloqueado o acesso ao Claude em todos os casos detectados até o momento.

Espionagem e desinformação eleitoral

O relatório da Anthropic lista uma série de usos indevidos de seus modelos de IA por atores estatais. Entre os casos mais graves está a suspeita de que China e Irã tenham empregado o Claude para monitorar opositores exilados dos dois regimes, segundo o The New York Times.

Outro episódio destacado envolve a Rússia, que teria usado a ferramenta para fabricar textos de propaganda disfarçados de reportagens jornalísticas. O alvo, segundo a apuração, foram as eleições na vizinha Moldávia, país que integra o radar geopolítico de Moscou desde a guerra na Ucrânia.

Meses antes de o novo relatório vir à tona, a Anthropic já negociava com o governo americano o uso do Claude em operações militares contra o Irã — o mesmo país que agora aparece na lista de tentativas de exploração maliciosa da tecnologia.

Um alerta que a própria Anthropic já havia soado

A empresa afirma ter bloqueado o Claude em todas as tentativas identificadas, mas o episódio reacende a discussão sobre os limites da autorregulação das big techs de IA diante de agentes estatais dispostos a burlar barreiras de segurança.

Em junho, a própria Anthropic havia proposto uma pausa global coordenada no desenvolvimento de IA, alegando que dados internos apontavam para modelos cada vez mais difíceis de controlar. O novo relatório, obtido pelo New York Times, mostra que o risco também vem de fora: governos tentando transformar a tecnologia em arma de propaganda, vigilância e, possivelmente, armamento biológico.

A reportagem trata o caso como em atualização, e novos detalhes sobre a extensão dos casos identificados — e sobre eventuais respostas de Rússia, China, Irã e Iêmen — ainda devem surgir.