O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (3) que o INSS passou a analisar mais pedidos de benefícios por mês do que recebe de novos requerimentos, resultado que classifica como fim da fila de espera na Previdência Social.
A meta era uma promessa de Lula desde a posse em 2023, reforçada em junho com prazo até setembro. Segundo o Ministério da Previdência, a fila caiu 74% no ano, para 1,55 milhão de pedidos represados no fim de julho — mas o volume de benefícios negados também cresceu 70% no mesmo período.
Segundo o governo, o tempo médio de análise dos pedidos caiu para 34 dias, e o prazo para a realização de perícia médica recuou de 70 dias, em agosto de 2023, para 17 dias em agosto de 2026. A promessa de zerar a fila do INSS foi feita por Lula ainda na posse do terceiro mandato, quando o petista afirmou ter encontrado cerca de 3 milhões de pessoas aguardando atendimento na Previdência.
Fila caiu 74% no ano
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o total de benefícios represados recuou para 1,8 milhão em junho e para 1,55 milhão no fim de julho, o menor patamar em 21 meses. Na semana passada, durante sabatina da TV Globo, Lula já havia adiantado que anunciaria o fim da fila nesta semana e que a espera de 45 dias passaria a atingir apenas 251 mil pessoas, número que classificou como “normal”.
O avanço na análise de pedidos, porém, veio acompanhado de uma escalada nos indeferimentos. Em junho, os benefícios negados se aproximaram de 1 milhão, e o acumulado do ano mostra alta de 70% na rejeição de pedidos em relação ao mesmo período de 2025. Os benefícios por incapacidade — que reúnem o antigo auxílio-doença, o auxílio-acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente — estão entre os mais recusados, como já mostrado por especialistas que alertavam para o risco de a fila represada migrar para a Justiça.
Troca de comando após desgaste político
O anúncio ocorre cinco meses após o governo trocar a presidência do INSS. Em abril, Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão desde 2003 e ex-presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), assumiu o posto no lugar de Gilberto Waller Júnior, demitido. Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, a mudança foi motivada pelo desgaste que as filas causavam à imagem do governo às vésperas da campanha eleitoral de 2026, e a troca foi defendida pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz.
Waller havia sido nomeado em abril do ano passado um mês antes de Lula estabelecer setembro como prazo oficial para zerar a fila, em meio ao escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões que pode chegar a R$ 6,3 bilhões. O ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto foi afastado, demitido e preso em novembro, enquanto outros cinco servidores da cúpula do INSS também foram detidos pela polícia.