Política

Moraes edita contrato de R$ 130 milhões entre Vorcaro e escritório da esposa

Metadados extraídos do celular do empresário pela Polícia Federal mostram usuário do ministro na última edição do arquivo
Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em montagem sobre escândalo em que Moraes editou contrato Vorcaro e esposa

Metadados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro pela Polícia Federal apontam o ministro Alexandre de Moraes, do STF, como autor da última edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o escritório de sua esposa e o Banco Master.

A revelação foi publicada nesta terça-feira (1º) pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e confirmada pela TV Globo, reacendendo o debate sobre conflito de interesses envolvendo o ministro.

O que dizem os metadados

De acordo com a apuração, o contrato foi enviado via aplicativo de mensagens e extraído do celular de Vorcaro durante investigações da Polícia Federal. Os metadados do arquivo digital trazem o nome e o usuário vinculado a Alexandre de Moraes como responsável pela última modificação do texto.

O instrumento previa a contratação da banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados para atuação jurídica e consultoria estratégica ao Banco Master, com honorários globais que somam cerca de R$ 130 milhões.

A versão do escritório

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance consultou o ministro sobre eventuais impedimentos legais para a contratação, como ações sob sua relatoria no STF ou julgamentos de interesse do banco. Segundo o texto, como Moraes nunca julgou causas envolvendo o Master, nenhum impedimento foi identificado e o contrato foi assinado.

Repercussão do caso

O episódio reabre a discussão sobre uma possível relação entre o contrato e a atuação do ministro no STF. Em março, o escritório Barci de Moraes já havia negado atuação no STF em favor do Banco Master, mesma época em que o contrato foi assinado — mas os metadados agora indicam que o ministro foi além de consultado: ele mesmo teria editado o documento.

Em abril, registros da Receita Federal confirmaram que o Banco Master repassou ao menos R$ 40 milhões ao escritório da esposa do ministro em 2024, parte do contrato global agora sob suspeita.

O Banco Master está sob liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, processo que a nota do escritório aponta como motivo do encerramento da prestação de serviços. O caso é acompanhado por apurações que também alimentam a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado.