Representantes do governo brasileiro conversam nesta segunda-feira (31), às 14h30, com integrantes do governo americano para retomar as negociações sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O encontro virtual foi agendado depois que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone há cerca de dez dias e concordaram em reabrir o diálogo, já que o Brasil considera a medida infundada.
O que motivou a nova rodada de conversas
Do lado brasileiro, participam da reunião os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, além de assessores do presidente Lula, como o diplomata Audo Faleiro.
O gatilho para a retomada foi a ligação entre Lula e Trump em 21 de agosto, que durou cerca de uma hora e vinte minutos — tempo considerado longo para uma conversa entre chefes de Estado. Segundo o Palácio do Planalto, os dois presidentes trataram de conflitos internacionais, da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA e do próprio tarifaço.
Ao abordar as tarifas, Lula reafirmou a Trump que considera a medida infundada, e os presidentes concordaram em reabrir as conversas. Um dos cenários avaliados por integrantes do governo brasileiro é a ampliação da lista de exceções — produtos que podem entrar no mercado americano sem a sobretaxa. A reunião desta segunda retoma um processo iniciado em maio, quando Márcio Elias Rosa já havia se reunido por videoconferência com o USTR logo após a cúpula Lula-Trump, rodada que não avançou nos meses seguintes.
Diplomatas ouvidos nos bastidores afirmam que Trump tem conhecimento do tarifaço, mas não se envolve nos detalhes técnicos, deixando a condução a cargo do Departamento de Estado e do USTR — órgãos onde as negociações estão travadas há meses. Por isso, integrantes do Itamaraty e do Planalto dizem que é preciso esperar o que os americanos vão apresentar na reunião para saber em que pontos é possível avançar.
O impasse levou o Brasil a acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), sob a alegação de que os Estados Unidos agiram de forma discriminatória e descumpriram compromissos firmados na entidade. O governo americano respondeu que está “à disposição” para dialogar, mas não sinalizou se vai rever a medida.
Internamente, diplomatas brasileiros não esperam que uma decisão da OMC reverta o tarifaço na prática, mas avaliam que o movimento serve para marcar, perante a comunidade internacional, a posição do país sobre o tema. O cenário lembra o observado em julho de 2025, quando a Casa Branca já mantinha silêncio sobre a negociação após o primeiro tarifaço contra produtos brasileiros — padrão que travou o diálogo bilateral por mais de um ano.