A Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado na noite do dia 12. O valor é quase o triplo dos R$ 98 milhões perdidos no mesmo período do ano passado.
O resultado veio cinco meses após a varejista conseguir o encerramento formal da recuperação judicial que reuniu dívidas superiores a R$ 50 bilhões, uma das maiores da história empresarial do país.
Ebitda cai mais da metade e receita recua
O resultado operacional da companhia, medido pelo Ebitda, somou R$ 145 milhões no segundo trimestre — queda de 51,5% frente aos R$ 299 milhões do mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, recuo de 1,7% na mesma comparação, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 0,6% no período.
O recuo ocorreu mesmo com eventos sazonais que costumam impulsionar o varejo, como a Páscoa, a Copa do Mundo e a venda de produtos de inverno ao longo do trimestre.
Melhora frente ao trimestre anterior
Apesar do salto em relação a 2025, o prejuízo de R$ 274 milhões representa uma melhora frente aos R$ 329 milhões perdidos no primeiro trimestre deste ano — resultado que, na época, alimentava expectativas de recuperação que o segundo trimestre não confirmou.
Em relatório divulgado na véspera dos resultados, a Americanas afirmou ter entrado em um “novo ciclo estratégico”, cinco meses depois de deixar oficialmente a recuperação judicial.
Do escândalo contábil à saída da recuperação judicial
Os prejuízos atuais se somam a um passivo que remonta a janeiro de 2023, quando a Americanas revelou “inconsistências em lançamentos contábeis” inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. O então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre.
A revelação provocou uma das maiores quedas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil: as ações da companhia acumularam perda de 77,33% em um único pregão. Oito dias depois, em 19 de janeiro de 2023, a varejista pediu recuperação judicial afirmando ter apenas R$ 800 milhões em caixa — muito abaixo dos R$ 8,6 bilhões declarados no balanço do trimestre anterior.
As perdas operacionais atuais se somam a um cenário jurídico ainda turbulento: em junho, a Polícia Federal bloqueou R$ 54 bilhões em bens de investigados na segunda fase da Operação Disclosure, que apura as fraudes contábeis reveladas em 2023.
Em março de 2026, a companhia informou ter cumprido as obrigações do plano de recuperação judicial com vencimento em até dois anos após sua homologação e obteve na Justiça o encerramento formal do processo.