Negócios

PF bloqueia R$ 54 bi e investiga bancos na fraude das Americanas

Segunda fase da Operação Disclosure expande o cerco e apura participação de acionistas e grandes bancos privados no esquema
Fraude contábil Americanas: investigação da PF apura participação de grandes bancos

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que apura o escândalo contábil das Americanas. Desta vez, o foco vai além dos ex-executivos: bancos privados e acionistas da varejista entraram na mira das investigações.

A Justiça Federal autorizou o bloqueio de R$ 54 bilhões em bens e ativos dos investigados — valor equivalente ao prejuízo estimado pelas fraudes apontadas em laudos periciais. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O rombo que abalou o varejo brasileiro

O escândalo das Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia divulgou um fato relevante informando a descoberta de “inconsistências em lançamentos contábeis”. O buraco inicial, estimado em R$ 20 bilhões, rapidamente revelou uma estrutura de fraude muito mais profunda.

No dia seguinte, o mercado financeiro reagiu com violência: as ações da varejista despencaram 77,33% em um único pregão — uma das maiores quedas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil. O então presidente Sergio Rial, que havia assumido apenas nove dias antes, deixou o cargo junto com o diretor financeiro André Covre.

A origem do problema estava nas operações de risco sacado — modalidade em que uma instituição financeira antecipa pagamentos a fornecedores e passa a ser credora da empresa. Segundo as investigações, essas obrigações deixaram de aparecer corretamente nos balanços por anos, gerando uma dívida oculta bilionária. As apurações também apontaram irregularidades em verbas de propaganda cooperada, com valores inexistentes ou inflados sem respaldo econômico.

Recuperação judicial e saída da crise

Em 19 de janeiro de 2023, apenas oito dias após revelar as irregularidades, as Americanas pediram recuperação judicial com apenas R$ 800 milhões em caixa — muito abaixo dos R$ 8,6 bilhões declarados no balanço do terceiro trimestre de 2022. O processo tornou-se um dos maiores da história empresarial brasileira, com dívidas superiores a R$ 50 bilhões.

Em março de 2026, a companhia protocolou o encerramento do processo após cumprir as obrigações previstas no plano de recuperação. A Justiça aceitou, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial.

Com o aprofundamento das apurações, a PF concluiu que ex-executivos manipulavam deliberadamente os resultados financeiros para apresentar caixa artificialmente elevado, ocultar dívidas e inflar lucros — o que gerava valorização indevida das ações e beneficiava os responsáveis com bônus milionários e ganhos na Bolsa.

A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024, com 14 mandados de busca e apreensão contra ex-executivos. Pedidos de prisão preventiva foram expedidos contra o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali, ambos no exterior à época. As investigações identificaram indícios de manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Na segunda fase, a PF e o MPF expandiram o escopo para investigar se representantes dos maiores bancos privados do país e acionistas da varejista também participaram do esquema. “As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, afirmou a PF em nota.

Durante a reestruturação, a Americanas vendeu ativos estratégicos — entre eles a holding Uni.Co, que reúne marcas como Imaginarium e Puket, adquirida pelo grupo BandUP! — e promoveu o fechamento de unidades menos rentáveis como parte da estratégia de geração de caixa.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Americanas se isenta, mas PF investiga acionistas e bancos por fraude bilionária

PF aponta Sicupira, filho de Lemann e Garcia no centro da fraude das Americanas

Americanas vende Imaginarium por R$ 152 mi enquanto PF aperta investigação

PF deflagra 9ª fase da Compliance Zero com foco em agente público

PF aponta R$ 2,2 bilhões ocultos em conta do pai de Vorcaro após soltura

PF pede prorrogação do inquérito do caso Banco Master ao STF