O Dia dos Pais deve movimentar R$ 8,52 bilhões no comércio brasileiro em 2026, alta real de 2,9% sobre 2025, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que mantém a data como a quarta mais forte do varejo no ano.
Pesquisa da DM, especializada em crédito, mostra que 75,7% dos consumidores vão comprar presentes e 47,2% pretendem gastar mais do que em 2025, mesmo com o endividamento das famílias pressionando o orçamento doméstico.
Crédito parcelado domina as compras
O cartão de crédito parcelado é a forma de pagamento preferida por 59,3% dos consumidores que pretendem presentear no Dia dos Pais, segundo o levantamento da DM, que ouviu 2.500 clientes da empresa em todas as regiões do país. Outros 24,3% devem pagar à vista no cartão, enquanto o PIX aparece em terceiro lugar, com 6,8% das respostas.
Apesar da preferência pelo crédito, a maioria evita parcelamentos longos: 64,5% dos consumidores afirmam que vão dividir as compras em até quatro vezes. “O parcelamento é, para grande parte dos brasileiros, uma estratégia de gestão financeira, que garante as compras sem comprometer demais o orçamento. E os parcelamentos mais curtos indicam um cuidado dos consumidores em manter o equilíbrio financeiro”, afirma Victor Hugo Soares, gerente nacional comercial da DM.
Orçamento pesa mais que a promoção
Entre os fatores que mais influenciam a escolha do presente, 26,7% dos entrevistados citam o próprio orçamento como o aspecto decisivo, à frente das promoções, apontadas por 21,6%. Além dos presentes, 79% dos consumidores que vão às compras também pretendem ir ao supermercado para celebrar a data em família.
Juros e dívidas devem conter o consumo
Para Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, o Dia dos Pais aquece setores como vestuário, calçados, perfumarias, e-commerce, restaurantes e supermercados, mas sem uma explosão do consumo. “Os juros e o endividamento devem limitar os presentes mais caros”, afirma. Com o endividamento das famílias brasileiras batendo novo recorde em julho, no sexto mês seguido de alta segundo a CNC, o alerta de Tonegutti ganha peso entre os consumidores que recorrem ao crédito para presentear.
O especialista recomenda definir um limite de gastos antes de escolher o presente e observar o valor total da compra, não apenas o tamanho da parcela. “Parcelar o presente pode fazer sentido. Parcelar carne, carvão e sobremesa transforma o churrasco de domingo numa lembrança que aparece na fatura até o Natal”, diz. Para supermercados e restaurantes, ele sugere kits com carnes, acompanhamentos, bebidas e sobremesas para facilitar a decisão do consumidor.