O criminalista Daniel Bialski assumiu, na semana passada, a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília, durante reunião com o próprio Vorcaro e o advogado Sergio Leonardo.
O objetivo é retomar as negociações de um acordo de delação premiada com as autoridades, travadas desde que a Polícia Federal rejeitou uma proposta anterior. Vorcaro é investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, corrupção de servidores e uso de milícia privada.
Um currículo de defesas políticas
Bialski não é estreante em casos de alta repercussão. O criminalista já defendeu o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Na órbita do bolsonarismo, atuou pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pela ex-deputada federal Carla Zambelli e pelos ex-ministros Onyx Lorenzoni e Milton Ribeiro.
A reunião que selou a contratação aconteceu na Papudinha e contou com a presença do advogado Sergio Leonardo, também ligado à defesa de Vorcaro. Segundo interlocutores, Bialski já começou a estudar o processo para montar uma estratégia de negociação com as autoridades.
No Supremo Tribunal Federal, o caso é relatado pelo ministro André Mendonça, a quem caberá avaliar qualquer avanço formal em direção a um acordo de colaboração premiada.
Corrida contra o prazo da PF
A troca de defensor ocorre sob pressão de calendário: a Polícia Federal prevê concluir ainda em agosto o inquérito das fraudes do Banco Master, o que deve resultar no indiciamento de Vorcaro e estreita a janela para qualquer acordo antes de uma denúncia formal.
Bialski substitui o criminalista José Luís Mendes Oliveira Lima, conhecido como Juca, que deixou o caso em maio após a PF rejeitar a segunda proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro. Um dos entraves das tratativas anteriores foi a dificuldade em mapear o patrimônio de Vorcaro fora do país — a Interpol chegou a ser acionada para rastrear os ativos no exterior.