O BNDES aprovou nesta quinta-feira (30) uma linha de crédito de até R$ 8 bilhões para as companhias aéreas Azul, Gol, Latam e Abaeté, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) liberados até dezembro de 2026.
O socorro financeiro chega em meio à disparada no custo do combustível de aviação, que quase dobrou entre abril e maio por causa da escalada da guerra no Oriente Médio.
Por que o crédito foi liberado
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, as companhias aéreas “já foram fortemente impactadas pelos efeitos da pandemia e agora enfrentam o aumento de custo no combustível de aviação devido à guerra no Oriente Médio”. A linha é destinada exclusivamente às empresas de transporte aéreo regular doméstico.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou que a iniciativa fortalece a sustentabilidade financeira das companhias. Já o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, disse que o apoio é compatível com a relevância do setor para a economia.
A alta do combustível tem raiz na guerra no Oriente Médio, que elevou as cotações internacionais do petróleo em meio ao temor de interrupções na oferta global da commodity — especialmente pelos riscos ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo do mundo. Como a produção da OPEP+ chegou a despencar de 42,7 para 33,1 milhões de barris por dia no auge do conflito, o choque bloqueou o Estreito de Ormuz e empurrou o preço do querosene de aviação a patamares que inviabilizaram a operação das aéreas brasileiras.
Reflexo nos preços da Petrobras
Como o preço do querosene de aviação (QAV) acompanha as oscilações do petróleo, a Petrobras reajustou o combustível em mais de 50% em abril. A estatal reduziu o valor em 14,2% em junho, mas mesmo após cortes consecutivos de 14,2% em junho e 14,5% em julho, o QAV ainda acumulava alta superior a 40% em 2026 — patamar que, segundo o BNDES, justificou a abertura da linha emergencial de R$ 8 bilhões.
Com prazo para uso dos recursos até dezembro de 2026, a expectativa do setor é que o crédito ajude a estabilizar o caixa das companhias enquanto os preços do petróleo seguem sensíveis aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
