O Federal Reserve (Fed) manteve nesta quarta-feira (29) a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor patamar desde setembro de 2022. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) já era esperada pelo mercado financeiro.
Foi a quinta reunião seguida sem mudança nos juros americanos — decisão que reflete a preocupação do banco central dos EUA com a inflação, pressionada pela persistência da alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.
A manutenção dos juros nos Estados Unidos aumenta a pressão para que a Selic permaneça elevada por mais tempo no Brasil, além de influenciar o câmbio.
Segunda decisão sob Kevin Warsh
A reunião desta quarta-feira foi a 13ª decisão de juros desde que Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025 — e a segunda comandada por Kevin Warsh, indicado pelo republicano para presidir o Fed após meses de atritos com o antecessor, Jerome Powell. Trump defende juros mais baixos para baratear o crédito e aquecer a economia americana.
Placar dividido
Nem todos os membros do Fomc concordaram com a pausa: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram por elevar os juros em 0,25 ponto percentual, defendendo uma postura mais dura diante da inflação persistente.
Em nota, o comitê afirmou que a alta de preços segue acima da meta de 2% “refletindo, em parte, choques de oferta” em setores como o de energia — reflexo direto da escalada do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo. Na abertura dos mercados desta quarta, o dólar já recuava enquanto investidores aguardavam o resultado da reunião, com a escalada militar na região no centro das atenções.
Reflexos no Brasil
Com os juros dos EUA ainda elevados, os rendimentos das Treasuries — os títulos públicos americanos, considerados o investimento mais seguro do mundo — seguem atrativos a investidores estrangeiros. O fluxo de capital em direção aos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar e reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, pressionando o real.
Um dólar mais valorizado por aqui eleva o custo de produtos importados e amplia a pressão inflacionária, reforçando o argumento para que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em patamar elevado por mais tempo. Na véspera da decisão do Fed, o mercado já reduzia pela quarta semana seguida sua projeção de inflação para 2026 e mantinha a aposta em cortes futuros da Selic, mesmo com a alta do petróleo puxada pelo conflito no Oriente Médio.
